quarta-feira, dezembro 03, 2008

Ir à Luz

Obrigado, Miguel.

Caro Miguel (não sei se é assim que te chamas),

Não me conheces e por isso não sabes que no dia 1 de Dezembro também estive no Estádio da Luz, no sector 23. Não saberás também que nesse dia levei pedagogicamente comigo a Caetana. Não interessa o sentido exacto do advérbio, importa apenas que a levei e que a levei pedagogicamente, porque há prelecções que, de tão grandes, passam por cima de muros, ainda que estes sejam muito altos e cravejados de vidros cortantes, como é o caso. Mas disto, de ensinar, saberás tu, não é, Miguel? Era um jogo importante, um jogo para o primeiro lugar. Os outros chamavam-se Vitória, mas a águia que voou no início com esse nome era nossa, tal como a vitória no final do jogo não podia senão ser nossa também, tal como aliás o primeiro lugar deveria ser também nosso, se houvesse justiça. Não há, e tu, do alto dos teus oito anos, não sabes que não há, e ainda bem que ainda não sabes, porque assim as derrotas e os empates são só derrotas e empates, não são derrotas e empates com sabor a outra coisa que não a superioridade do adversário.
Estávamos gelados, naquele sector 23, lembras-te? Ainda assim, lá fui batendo palmas, que é a único som não desafinado que consigo fazer. Se me tivesses conseguido ouvir, terias percebido como isto é verdade, e eu escusaria a explicação. Não ouviste, fica dada a explicação. Na primeira parte, o nosso Benfica foi fraquito, Miguel, mas suponho que não devas ter passado muito tempo sentado, porque a primeira vez que te vi estavas de pé, a tapar elegantemente a vista a quem estava atrás de ti, e a tua mãe (era a tua mãe?) puxava-te vigorosamente para baixo, para te sentares. Tu ignoravas a tua mãe e gesticulavas para dentro do campo, como se fossem aqueles os teus pupilos (e talvez não estivesses longe da verdade). Eu levei uma pupila também, e ainda assim não consegui gesticular para ela com essa expressiva harmonia.
E agora peço-te desculpa, Miguel, por me ter lembrado do jogo com o Penafiel a propósito do que estavas a fazer. Nesse jogo da Taça, havia na minha fila um puto, mais ou menos da tua idade, a quem deram um apito. Tu não saberás, mas um puto com um apito na boca consegue ser mais irritante que os adeptos benfiquistas com tendência crónica para a maledicência (do género daqueles que virão vociferar com caps lock para a caixinha dos comentários deste post). O puto sentava-se e levantava-se aleatoriamente, nem estava a prestar atenção ao jogo, mas não largava o apito. Então, num momento de silêncio, sentou-se e esqueceu-se de que a cadeira recolhe automaticamente, e a única coisa que se ouviu fui o ruído seco do puto a cair no chão. Rimos de satisfação e o apito não se voltou a ouvir, porque, além de ter caído no chão, o puto ainda apanhou dois tabefes da mãe. Peço-te desculpa, mas eu quis que isto te acontecesse, sobretudo porque tu tinhas a mania de te voltares para nós (mas não aleatoriamente, o que só percebi depois) e gesticulares também. Quando foi do golo dos outros, visto do meu lugar, foste insuportável. Bateste palmas, gesticulaste, saltaste, tiraste o gorro e a tua mãe teve se levantar para te sentares durante dois segundos. E foi então que te viraste para nós e pediste claramente apoio para o Benfica. Nitidamente. Como saberás, não compreendi exactamente o que estavas a querer dizer. Mas há gestos e expressões, como as tuas naquele dia, que as palavras só atrapalham, e por isso não precisei de te escutar. E só então é que percebi que, ao longo de todo aquele tempo, estiveste sempre a pedir apoio para o Benfica. Sempre, sempre. E isso tornou-te um pouco menos irritante, Miguel. Quando começou a segunda parte, lá estavas tu a gesticular, enquanto toda a bancada estava sentada, gelada e amuada. Que irritante, Miguel, só faltou teres um apito na boca! A equipa estava a jogar mal, caramba! E o teu apoio frenético começava a chatear-me, porque me parecia deslocado, excessivo.
A distância a que estava, com a histeria que é para mim um golo do Benfica e com a celebração com a Caetana, não te consegui ver depois de o Katsouranis ter marcado o golo. Mas, depois da euforia, com uma face confiante, lá estavas tu virado para trás, quase ignorando o jogo, a pedir apoio freneticamente. Como fizeste, pelo menos, desde que te vi a primeira vez (apercebo-me agora). Veio o segundo golo, ficaste eufórico, a tua mãe continuava a puxar-te para baixo e tu só te querias voltar para trás para bater palmas para nós. Para bater palmas para nós?
Foi só então que percebi que eras surdo-mudo. Fiquei mudo, claro, e não soube o que fazer com as mãos, como me acontece ordinariamente quando alguém me reconcilia com a minha vida. Apresentei-te, a distância, à Caetana, e a partir daí cantámos ambos horrivelmente (nisso eu e a Caetana somos parecidos, ainda que eu não a tenha ouvido porque estava a gritar por mim e por ti), batemos palmas, levantámo-nos, gritámos Benfica, apoiámos com todas as desarranjadas cordas vocais que temos, desafinámos, devemos ter feito uma figura ridícula. Mas como podíamos nós fazer outra coisa que não aquela? Como podíamos nós responder de outro modo ao teu apelo? O que podíamos nós fazer diante da tua grandeza? Não foste irritante, Miguel, desculpa. Apenas nos pediste que fizéssemos o que tu não podes, infelizmente, fazer: apoiar o teu clube gritando. Deves ter pensado, com razão, “Dá Deus voz…”.
Peço-te desculpa, Miguel, porque, quando te voltaste para trás desesperado (e é dessa expressão que eu não me hei-de esquecer nunca) a pedir apoio depois de os outros terem marcado o golo do empate, eu estava incrédulo com o Quim e a Caetana desanimada, e não, Miguel, nesse momento não apoiámos. Mas apoiámos depois, naqueles três minutos quase não nos sentámos. Por nós e por ti.
Quando acabou o jogo, Miguel, a tua mãe levou-te. Alguns adeptos já se tinham ido embora. Mas quero que saibas que eu e a Caetana ficámos os dois de pé – os únicos na nossa fila – a aplaudir os jogadores, ainda que à nossa volta se vaiasse a equipa. O Luís de Sttau Monteiro escreveu um dia que “Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por dentro”. Tu és daqueles benfiquistas honestamente hiperbólicos que nos obrigam a revermo-nos por dentro. Comigo e com a Caetana foi isso que aconteceu.
Naquele dia, podia ter chegado a casa e ter escrito um comentário a crucificar o Quim. Não fui capaz, Miguel, porque não consegui sentir-me revoltado. Triste sim, mas não revoltado. E a culpa foi tua – não podias ser um puto banal, um puto chato, um puto que não me tivesse tirado o protagonismo pedagógico junto da Caetana? Depois de ti, que lhe posso eu ensinar? Não podias ser um puto mimado, daqueles que ao intervalo precisam de coca-cola e gelados e cachorros e doces, em vez de seres um puto surdo-mudo de óculos e gorro a gesticular para o relvado da Luz? É que assim não vinha eu para casa com a certeza de que nada se ouviu mais alto naquele estádio naquela noite do que o teu silêncio, nem ninguém, por mais que tenha gritado e vociferado (mesmo aqueles que espumavam ofensas ao Quim) ensinou melhor a Caetana. As palmas no final, caro Miguel, as minhas e as da Caetana, que tu já não viste, eram para ti e para os jogadores, porque ao contrário daquele adepto que me perguntou por que razão estava eu a bater palmas (de uma maneira rude, com cuspo e espuma na boca à mistura) eu tenho sempre de aplaudir aqueles senhores, ainda que joguem mal, porque estão ao serviço de um clube que será sempre maior que eles, e, é verdade, não consegui esquecer-me de ti e da mestria da tua lição de apoio ao Benfica: façamos nós, os que lá vamos, pelo menos o pouco que muitos não podem fazer – apoiar. E voltámos para casa, a Caetana um pouco maior, eu indescritivelmente pequeno.
Obrigado, Miguel.

sexta-feira, novembro 28, 2008

será cansaço?

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta -
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

Álvaro de Campos

terça-feira, novembro 11, 2008

Receita para matar um Homem

Aqui. Roubado do Caderno do Saramago.

"Tomam-se umas dezenas de quilos de carne, ossos e sangue, segundo os padrões adequados. Dispõem-se harmoniosamente em cabeça, tronco e membros, recheiam-se de vísceras e de uma rede de veias e nervos, tendo o cuidado de evitar erros de fabrico que dêem pretexto ao aparecimento de fenómenos teratológicos. A cor da pele não tem importância nenhuma.

Ao produto deste trabalho melindroso dá-se o nome de homem. Serve-se quente ou frio, conforme a latitude, a estação do ano, a idade e o temperamento. Quando se pretende lançar protótipos no mercado, infundem-se-lhes algumas qualidades que os vão distinguir do comum: coragem, inteligência, sensibilidade, carácter, amor da justiça, bondade activa, respeito pelo próximo e pelo distante. Os produtos de segunda escolha terão, em maior ou menos grau, um ou outro destes atributos positivos, a par dos opostos, em geral predominantes. Manda a modéstia não considerar viáveis os produtos integralmente positivos ou negativos. De qualquer modo, sabe-se que também nestes casos a cor da pele não tem importância nenhuma.

O homem, entretanto classificado por um rótulo pessoal que o distinguirá dos seus parceiros, saídos como ele da linha de montagem, é posto a viver num edifício a que se dá, por sua vez, o nome de Sociedade. Ocupará um dos andares desse edifício, mas raramente lhe será consentido subir a escada. Descer é permitido e por vezes facilitado. Nos andares do edifício há muitas moradas, designadas umas vezes por camadas sociais, outras vezes por profissões. A circulação faz-se por canais chamados hábito, costume e preconceito. É perigoso andar contra a corrente dos canais, embora certos homens o façam durante toda a sua vida. Esses homens, em cuja massa carnal estão fundidas as qualidades que roçam a perfeição, ou que por essas qualidades optaram deliberadamente, não se distinguem pela cor da pele. Há-os brancos e negros, amarelos e pardos. São poucos os acobreados por se tratar de uma série quase extinta.

O destino final do homem é, como se sabe desde o princípio do mundo, a morte. A morte, no seu momento preciso, é igual para todos. Não o que a precede imediatamente. Pode-se morrer com simplicidade, como quem adormece; pode-se morrer entre as tenazes de uma dessas doenças de que eufemisticamente se diz que “não perdoam”; pode-se morrer sob a tortura, num campo de concentração; pode-se morrer volatilizado no interior de um sol atómico; pode-se morrer ao volante de um Jaguar ou atropelado por ele; pode-se morrer de fome ou de indigestão; pode-se morrer também de um tiro de espingarda, ao fim da tarde, quando ainda hà luz de dia e não se acredita que a morte esteja perto. Mas a cor da pele não tem importância nenhuma.

Martin Luther King era um homem como qualquer de nós. Tinha as virtudes que sabemos, certamente alguns defeitos que não lhe diminuíam as virtudes. Tinha um trabalho a fazer – e fazia-o. Lutava contra as correntes do costume, do hábito e do preconceito, mergulhado nelas até ao pescoço. Até que veio o tiro de espingarda lembrar aos distraídos que nós somos que a cor da pele tem muita importância."

segunda-feira, novembro 10, 2008

A felicidade Exige Valentia

A propósito de algo que me relembraram

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…"


Fernando Pessoa

sexta-feira, novembro 07, 2008

Na Luz nada de novo... ou talvez não.

Quinta 6 de Novembro, Estádio da Luz recheado (mais de 46.000 almas) para ver o seu clube, o seu Benfica em mais uma esperada noite de glória europeia. Adeptos esperançados e cheios de sí e do seu Benfica (afinal já há algum tempo que não estavamos à frente de tripeiros e lagartos em simultâneo, e o passe de Aimar para o golo de Suazo fazem sonhar qualquer um).

Aos primeiros minutos de jogo dois calafrios e os turcos quase a marcar.... o povo é sereno, mas começam os primeiros comentários dos habituais treinadores de bancada: "assim que vi o onze vi logo que isto ia ser assim: mas porque é que só estamos a jogar com dois médios..."

O Benfica serena e fica por cima do jogo.... Suazo remata cruzado e não faltaram as certezas: "parece mesmo o Eusébio...";

O público entusiasma-se mas o jogo fica morno e voltam as ladainhas: " o que é que o treinador está a fazer no banco, o homem não vê que não estamos a jogar nada.... o Aimar e o Carlos Martins tem que entrar, isso é certo..." A primeira parte termina num misto de esperança ("ainda vamos ganhar isto") e de certezas ("já vi tudo, estes tipos embandeiram em arco e agora ainda me vão perder isto").

Começa a segunda parte, nos 11 nada de novo e, dando voz às certezas de alguns ao intervalo, os turcos marcam. Suazo falha um passe e deixa de ser Eusébio para ser " o cabrão do Preto não sei o que é que lá está a fazer". Aimar entra, também Cardozo e finalmente Carlos Martins. O Benfica não joga, os turcos marcam o segundo... o senhor sentado ao meu lado (senhor é só por educação) diz mal de todos os jogadores da equipa (xulos da merda, julgo que foi das expressões mais usadas), a 10 minutos do fim levanta-se e vai-se embora, com ele sai mais de meio estádio. há coisas que não mudam no Estádio da Luz.

O Árbitro apita para o final. A equipa vai ao centro e o público ainda presente aplaude. Há coisas que estão a mudar.

Ao chegar a casa, o rádio passa a conferência de imprensa de um Senhor ( e Aqui senhor por respeito e admiração). Quique Flores explica a derrota, diz o que falhou: más decisões na hora de passar a bola, constantes perdas na transição defesa ataque que foram partindo os blocos, elogia os jornalistas - vcs tem bom nivel e sabem entender isto, sempre que uma equipa perde a bola no momento de transição é mais dificil reconstruir o bloco, quando isso está constantemente a acontecer a equipa termina partida - fala das substituições, da inspiração dos artistas e do trabalho que ainda tem pela frente. Sorrio ao pensar naquela que seria a explicação de Fernando Santos, Camacho ou mesmo Fernando Chalana. E sei que algo está a mudar na Luz.

SL Benfica. Yes we Can! :)

quarta-feira, outubro 15, 2008

Ter Medo Não Apaixona

Portugal acabou de empatar com a Albânia em casa. Nada de relevante no nosso cenário actual ( e seria muito mais importante vir aqui falar da crise do sub prime ou das medidas do orçamento de estado ou até mesmo do debate de logo mais entre o futuro presidente dos EUA e um veterano da guerra do Vietnam)... mas escolhi o futebol e uma imagem que não me sai da cabeça: A cara de Carlos Queiroz nos últimos 15 minutos do jogo - totalmente transparente, o homem mostrava Medo, o medo de quem dizia - isto não me está a acontecer a mim, não a mim que tinha um emprego tão bom lá em Inglaterra, não a mim que tinha um estatuto tão forte cá em Portugal, eu não poss estar de novo a viver o Pesadelo de Madrid, eu já bati com a porta da seleccção quando ela não tinha condições para eu fazer um bom trabalho, mas e se eu agora não faço um bom trabalho?... A cara de Queiroz não é um problema, o que ele tem a perder e o medo que tem de o perder (O Medo de Queiroz) isso sim é um problema.... É que o medo não apaixona, e isso seria um pormenor não fosse Portugal ter vivido os últimos 4 anos apaixonado pela selecção ( é que o raio do Brasileiro dava murros nos sérvios, mas com a ladainha das bandeiras levava-nos na certa).... a esta hora algúem deve estar a exclamar "e o burro sou eu?"

sexta-feira, julho 18, 2008

Envelhecer Juntos...

Parece que vai abrir assim.
Dançamos?

Because of

Por causa de algumas canções
que falam dos mistérios femininos...


Amanhã é provavel ir ver Leonard Cohen,

(além disso é a sua última tourné mundial, que só faz por razões monetárias depois do desfalque de mais uma misteriosa mulher (a sua contabilista))

segunda-feira, julho 14, 2008

Cancão do Engate

Achilles: I'll tell you a secret. Something they don't teach you in your temple. The Gods envy us. They envy us because we're mortal, because any moment might be our last. Everything is more beautiful because we're doomed. You will never be lovelier than you are now. We will never be here again.

em "Troy"

Cumpre-te

Briseis: Why did you choose this life?
(...)
Achilles: I chose nothing. I was born and this is what I am.

em "Troy"

quinta-feira, julho 10, 2008

O Milagre ou a espera pelo pagamento dos clientes

(...)
Nothing left to do
when you know
that you've been taken
Nothing left to do
when you're begging for a crumb
Nothing left to do
when you've got to go on waiting
waiting for the miracle to come
(...)
Leonard Cohen

Mr Smith

" I'd like to share a revelation that I've had during my time here. It came to me when I tried to classify your species and I realized that you're not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment but you humans do not. You move to an area and you multiply and multiply until every natural resource is consumed and the only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. Do you know what it is? A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet. You're a plague and we are the cure. "

Mr Smith The Matrix

A propósito do The Story of Stuff

Cypher



Cypher: You know, I know this steak doesn't exist. I know that when I put it in my mouth, the Matrix is telling my brain that it is juicy and delicious. After nine years, you know what I realize?

[Takes a bite of steak]

Cypher: Ignorance is bliss.

terça-feira, julho 08, 2008

O Chato

Não sou fâ dos contemporâneos, mas este personagen tem momentos hilariantes...

O Sketch com o Pacman (tu és um bonequinho amarelo que passa o dia a enfardar), a quem ele aconselha a deixar crescer o bigode para ser como o super mário ( que também passa o dia a enfardar mas ao menos é canalizador) é um texto fabuloso e uma interpretação brilhante do Nuno Lopes.

segunda-feira, julho 07, 2008

Sem te Esquecer

Há noticias esperadas que nos apanham de surpresa.
Paralisei.Deixo-me ficar assim. Não espero melhores novidades. Espero o normal andar do tempo
Preparo-me não para o pior, mas para o que há de vir, para o que sempre chega.
Permaneço assim com hás-de permancer em mim, como ele ainda permanece.
Sem vos esquecer. Sem dele me esquecer.

Já perguntei!

What you sould be doing? A questão é se encontrei a resposta. Tem dias que acho que sim, tem outros que acho não, e acabo a fazer a cama na encruzilhada, chamando casa a este lugar..Ignorando a pergunta, a resposta, e a decisão que tenho que tomar

quarta-feira, julho 02, 2008

"... Vê lá tu se te cumpres!"

Agarrado pelo Cachaço

"...Uma coisa na vida que nunca sabemos é se uma coisa parece ou é..."

Prof Agostinho da Silva, Conversas Vadias (aqui)

terça-feira, julho 01, 2008

É desta?


Aulas de surf na Praia da Cornélia: Fazer -me ao mar, regularmente, é um desejo de há muito. Será desta?

segunda-feira, junho 30, 2008

Fado do Quas'engano

Não foi ao engano mas quase. Já tinhamos tentado lá ir, ao acaso na altura, passavamos na rua, procuravamos um restaurante e ficamos curiosos... estava cheio, ficava para outra altura, que acabou por ser na sexta feira: Dos reviews vistos na net, esperavamos pouco da comida e muito do fado... parece que canta lá uma tal de Carminho, uma nova voz do fado, 22 anos de alma fadista.

Perdido em Alfama o Mesa de Frades, podia ser um grande restaurante, instalado numa pequena capela ( a antiga capela da Quinta da Dona Rosa), quem serve já não vem trajado a rigor, e nas especialidades já não há arroz de cabidela, antes o que se serve não acrescenta nada ao normal prato do dia (para além do preço) em muitos snacks dessa Lisboa menina e moça, apesar da mesa repleta de entradas assim que se chega, mas para isso até iamos preparados.

No fundo iamos para ali também (ou sobretudo) pelo Fado, esperado para as 11h da noite, prometido para a Meia Noite (o guitarrista habitual estava com os diabetes a 600) e iniciado finalmente já depois da o1h... não fosse ter terminado 30 minutos depois, quando a Carminho ia começar a cantar, com uma invasão da policia a responder à queixa de um vizinho, e numa noite em que o Dono não estava presente e com ele estava a autorização para manter o estabelecimento aberto... dizia eu não fosse ter terminado 30 minutos depois e a espera de mais de 2 horas pelo fado teria valido a pena, pelo Pedro Moutinho e sobretudo pelo Ângelo, o guitarrista substituto, com cara de puto e virtuosismo nas mãos.

Hei de voltar, havemos de lá ir, já não jantar, mas mais tarde apenas para um copo e fado... pode ser que nessa noite este se prolongue, a Carminho Cante e o Ângelo continue a tocar.

Pode ser que nessa noite não seja noite de quas'engano

sexta-feira, junho 27, 2008

Ainda sobre os The Savages

Cuidar dos nossos (e para terminar o post anterior sobre o filme e o que ele me fez pensar), cuidar dos nossos... daqueles que cuidaram (ou não) de nós ou dos nossos. Dois excelentes videos

Friends for life aqui

e The Sandwich Generation aqui

foi deste último que retirei estas citações:

"on a selfish level I’ve had very mixed feelings about Herb moving in with us. On that level of where you just have to do what you have to do and it doesn’t matter how it inconveniences you or how it changes your life, you just have to do it, there’s no question."

"Herb has gone into a free fall since he went into the hospital. It is very clear that the hospital does not actually really care about him. He’s very low priority because of his age, because of his condition. It’s become startlingly clear to me. All I’m thinking is get him home, get him around loved ones, make sure he eats, make sure he’s simulated. Who cares what the diagnosis is? "

"ou know, I just – I don’t know how long we will be able to handle it at home, quite honestly. I don’t know how we’re going to function, and you know, maintain our lives, you know, as he slips."

"I can totally respect and appreciate anybody who says, I don’t want to have my parent come live with me because I couldn’t handle it. I understand that. There are days where I feel that way. kind of wish this problem would just go away. "

Por cá - Este Fime não passou no Cinema

parece que foi esquecido... mas quando o descobri no blog do Markl pedi ao Tiago se o tinha...

Já o vi, e ele adiantou-se ao post que pensei escrever... falo do The Savages, segundo o que vi escrito, um filme sobre uma familia disfuncional: Um casal de irmãos abandonados na adolescência pelo pai e logo de seguida pela mãe, vêem-se obrigado a lidar com a velhice e demência do pai ao mesmo tempo que enfrentam as disfuncionalidades das suas vidas pessoais, os sonhos adiados, as relações complexas, as frustrações, invejas e tudo aquilo que faz parte do quotidiano de todos nós...



"Acima de tudo, é um filme sobre pessoas que querem ser melhores." Sim talvez seja também isso... a mim prendeu-me ao ecrán, entre algumas gargalhadas e momentos pesados de encontro ao espelho.

Aterroriza-me a velhice, mais do que a minha a dos meus: Vi em pessoas próximas o peso que a Velhice pode representar, entre o desejo de lhes dar o melhor e a frustração de não ser capaz porque não sabemos, não podemos, não encontramos. Temo pelos meus avós à medida que os vou vendo perder faculdades... no filme vi esse medo ao espelho, as diferentes formas de lidar com ele...

(post incompleto...)

quinta-feira, junho 26, 2008

Also Playing

As ventoinhas parecem poucas para arrefecer o calor, e os dias custam a levar para a frente.... vale-me alguma da música a tocar no meu ITunes:

Banda Sonora do Juno, um excelente filme e uma excelente banda sonora.



Our ill wills, o último disco dos Shout Out Loud, os responsáveis pela música das últimas campanhas da Optimus

quarta-feira, junho 25, 2008

People are constantly asking you to tell them how you're doing. How the hell are you supposed to know?

Grey's Anatomy Season4 Episode16

terça-feira, junho 24, 2008

Este video não passa na TV

Espalhados no cyberespaço acessiveis a milhões mas longe do mass market estão fantásticas iniciativas de exploração de multimedia.

Descobri recentemente duas que me deixaram fascinado e que logo coloquei nos bookmarks

O Screening Room do Youtube
onde se encontram excelentes curtas em exibição e les concerts a emporter da Blogotheque ou take away shows: uma série de pequenos concertos (quase 100, muitos de rua) excelentemente filmados e sonorizados, de fantásticos músicos e bandas entre os quais os Beirut, REM, Arcade Fire ou os The Shins.

Aqui fica o exemplo dos Arcade Fire com Neon Bible no elevador e wake up no meio do público na abertura do concerto no olympia em Paris

Esta música não passa na Rádio

Descobri Beirut quando ele escreveu aqui uma lista de músicas que Elvis ouviria se fosse vivo. De uma excelente compilação, procurei aqueles que não conhecia e deles fiquei fã à primeira nota... acompanham-me as tardes quentes (em que permaneço na cave a esforçar-me por fechar propostas) que me trazem desejos de brisa do mar, alguns sorrisos de domingo e um último copo para o caminho

SUNDAY SMILE


UN DERNIER VERRE

segunda-feira, junho 23, 2008

A prova da mentira ou a mentira da prova

Confesso que não sei porque compro jornais desportivos.
Leio apenas os titulos, as gordas em cada página mas todo o santo fds lá estou eu a comprar a Bola (que no record escreve aquele senhor de cabelo encaracolado e seboso que diz que eu, como o resto dos portugueses, tenho que me capacitar, e eu cá não me capacito)...

Há uma altura em que estou especialmente atento aos jornais desportivos, a chamada pré-época: Todos os dias há novidades, grandes e pequenos génios da bola que vêm para o meu clube de coração, análises de perfil para futuros seleccionadores, contratos que estão por horas, e uma fértil imaginação que irá ajudar comentadores durante toda a próxima época a avaliar as forças e fraquezas do que é o plantel e do que teria sido fossem concretizadas todas as contratações que eles anunciaram e que só não se fizeram porque alguém não gostou que eles falassem.

Há um campo especialmente fértil neste mundo imaginario dos jornais desportivos: O SL Benfica - jogadores que já assinaram mas que afinal não vem como eles já tinham anunciado antes de anunciarem que afinal vinham ou ficavam... confuso? Deixem dar o exemplo: cebola é um jovem jogador uruguaio que jogou no SLB o ano passado e que em meados da época começou a ser falado (segundo os jornais desportivos) para ir para o Porto, afinal no final da época ia ficar no Benfica (como foi anunciado pelos jornais desportivos), sendo que acabou por ir para o Porto (como os jornais desportivos já tinham previsto em Março) ou seja independentemente da mentira (ou verdade?!?) criada anteriormente, perante um facto existe sempre a prova de que eles já o tinham anunciado antes de acontecer...

Em Seco

Engolir em seco.
Deixar passar o Sapo e calar
Esperar outros dias.... calma, penso.... muita calma, rio
Outros dias virão

sexta-feira, junho 20, 2008

A Sorte, o Talento e o Trabalho de Casa

Desde que o Euro começou dediquei-me (em dias de jogos) e beber sorte em garrafas de mini para equilibrar o talento que acreditava ver na nossa selecção.

Ontem nem as 8 doses de sorte, 1 de talento e outras da "provavelmente melhor cerveja do mundo" serviram para evitar a falta que fez fazer o trabalho de casa.

Foi esta a grande diferença face aos alemães: Para lá da altura, da força física, da (falsa) humildadade estava sobretudo uma lição muito bem estudada e que sabia que na baliza de portugal estava um guarda redes a precisar "urgentemente de uma festa de despedida" como dizia hoje na TSF o Ferreira Fernandes, e um lateral esquerdo mal adaptado que mesmo à direita tem sido muitas vezes o nosso enterra.



Fotografia tirada do Record: Ricardo fecha os olhos, encolhe-se e espera que Ballak não o empurre como fez ao Paulo Ferreira

quarta-feira, junho 18, 2008

A história ao vivo

Regresso

Estive para marcar este regresso com o relato do buraco que se abriu em Kona, aldeia na India, e que era ontem contada no DN.

Preferi no entanto dar nota da excelente voz de Brandie Carlile que canta a musica que dá som ao novo anúncio da Superbock e que reza assim:

The Story

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You do
I was made for you
You see the smile that's on my mouth
It's hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what
I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Vegetais na Sopa

Ontem fui à apresentação das novas sopas frescas Knorr ao CCB com um espectáculo pela 1st Vienna Vegetable Orchestra.

Além das ditas sopas (só provei espargos, mas acho que a de cogumelos é que era a boa), dos vips (chiquititas e afins) tivemos isto:



Confesso que não ficando fã, achei um interessante exercicio criativo: Solos de Bringela, trios de couve e lombardo e um som quase sempre ruido mas que às vezes conseguia ser uma batida interessante.

Mais sobre eles aqui

PS: as sopas estão à venda nas grandes superficies por este país fora

terça-feira, janeiro 22, 2008

Resultados em directo(live results)

Orcamento aprovado por cansaco... Por unanimidade. Passamos à discussão sobre a zona verde por detrás do prédio que è nosso e não da câmara... Vamos discutir se empredamos ou arranjamos o jardim... Umhh promete ser uma boa discussão, vamos ter espetáculo...

em directo(ainda)

Não sei as horas. Sei que é tarde para ainda estar em directo mas aqui estou, ainda em reuniãao de comdominio a escrever no telemóvel enquanto a discussão sobre onde colocar o valor x se na rúbrica z ou y se arrasta à uns bons 10 min. Upps vamos votar o orcamento...è já a seguir ao comenttário do vizinho ali do 1d

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Em directo

Estou na reuniao de condominio. Em directo. A situacao e a seguinte : ninguem quer secretariar. Há candidatos nesse lado?

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Filosofias(4)

"Be without fear in the face of your enemies. Safeguard the helpless. Never lie, even if it leads to your death; that is your oath."

Balian of Ebelin, Kingdom of Heaven

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Expressões de Natal

"Um Café e um sonho se faz favor!"

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Hoje: Ontem Amanhã

"Estás a olhar para ontem, idiota?

E é verdade, estou a olhar para ontem, sempre olhei para ontem. Até o amanhã é ontem às vezes."

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Sobre a Memória

" (...) it is forgetting, not remembering, that is the essence of what makes us human".

"(...)
And since he forgets that he always forgets, every lost thought seems like just a casual slip—an annoyance and nothing more—the same way it would to you or me.(...)"

Excertos de um excelente artigo que ele me sugeriu e que pode ser lido aqui...

Porreiro pá!

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Mudança de Paradigma

Como tão pouco pode tão facilmente mudar um paradigma tão estabelecido como é o do taxista.

O novo taxista de Lisboa - Aqui

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Lembranças ou aprendendo a ser resiliente

Pedras no caminho

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."

Fernando Pessoa


Foto por Filomena Chito retirada daqui

Aprender a ser Resiliente

Tenho que aprender a lidar com as adversidades. Sou rapido a reagir sob pressão, a encontrar uma solução para um problema em que a urgência apela a um sentido práctico, mas prendo-me na teia dos problemas que não tem solução. Bloqueio perante a frustração de não encontrar a solução e fico ali a dar cabeçadas sem fim na parede.

Nos últimos 60 dias (nas cobranças contamos os dias sobre a data das facturas e assim tem sido estes últimos 2 meses) tenho tentado sem sucesso cobrar 4 dívidas de 4 clientes diferentes. Fico preso na resposta que não chega., do dia específico para falar com os pagamentos, da estratégia de recebimento, do cheque que foi enviado mas afinal não foi, do cão que não deixa o carteiro distribuir o correio e assim confirmar o envio / recebimento do cheque, do cliente que ainda não recebeu e que vai pagar já na proxima semana, do outro que dá uma resposta hoje num hoje que se prolonga por muitos e vários dias e blablablalblalablala blalalblala....

tenho que aprender a ser resiliente :)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Volta e Meia...

... passo por cá e deixo um post(a). normalmente quando estou mais melacólico, é nestas alturas volta e meia que me dá para escrever, palavras feiras desabafo... em vez de feitas escrevi feiras... deixo ficar... quem lê?

Eu leio, volta e meia, quase sempre,todos os dias, alguns (poucos) blogues.

Descubro nas palavras de outros espelhos, sorrisos, beleza, saudade, sonho e assim afasto a melancolia. Normalmente, quase sempre, não conheço quem escreve... gosto disso (também).

Retiro dessas leituras, frases, expressões, que guardo escritos num lugar qualquer cá dentro como esta que hoje li aqui:

."..há quem seja solitário, mas também há quem traga solidão."

Guardei, para lembrar (volta e meia) num dia de melancolia.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Ainda

Ainda não é tempo.
Não Agora.
Mais tarde talvez ( quando tudo fôr diferente e o sabor fôr outro).
Agora Não.
Não é tempo. Ainda.

(É isso aí. Há quem acredite em milagres. E eu não sei parar...)

Sabores

Hoje sabe-me a boca a fado.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Planos

"The thing about plans is they don't take into account the unexpected, so when we're thrown a curve ball, whether its in the O.R. or in life, we have to improvise. Of course, some of us are better at it than others. Some of us just have to move on to plan B, and make the best of it. And sometimes what we want is exactly what we need. But sometimes, sometimes what we need is a new plan."

Grey's Anatomy

quarta-feira, outubro 31, 2007

Filosofias(3)

"(...)
Falamos de dança, mas não dançamos.
Falamos de verdade, mas não a pomos em práctica.
Dizemos tudo o que há a dizer sobre o amor, mas não amamos.
Servimos de guia aos visitantes do Templo, mas não rezamos.
Comentamos a Biblia, mas não a lemos.
Achamos fundamental o serviço, mas não servimos.
Explicamos, justificamos, criticamos, analisamos,
mas não nos metermos dentro, nunca falamos a partir
de dentro, do lugar onde as coisas verdadeiramente acontecem.
(...)
"

segunda-feira, outubro 29, 2007

A vida: Dia-a Dia

Dá-nos Senhor, a coragem dos recomeços.
Mesmo nos dias quebrados faz-nos descobrir limiares límpidos.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:
dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é.
Afasta-nos do repetido, do juízo mecânico que banaliza a história,
pois a desventra de qualquer surpresa e esperança.
Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados como quem
precisa e deseja e antecipa um amanhã.
Torna-nos confiantes como os que
se atrevem a olhar tudo, e a si mesmos,
com o encanto e a disponibilidade de uma primeira vez.

José Tolentino de Mendonça, dia a dia

Saborear a Vida

"Bom é o sal; mas se o sal se tornar insípido, com que se o há de salgar?"

Lucas 14:34

terça-feira, outubro 23, 2007

Era não chegou a ser mas foi

Estive para escrever um post sobre a Amiga Olga. Lembram.se? O programa do inicio da TVI, em que o público gritava: achabe, o dinheiero, não achabe...

Vinha este post a propósito de uma chave (que perdi) e do dinheiro (que custa mudar o canhão da fechadura). A forma como a perdi (àchabe) foi curiosa pois no momento em que a coloquei no tejadilho do carro eu avisei-me mentalmente que a ia perder e dessa forma eu posso chatear-me a mim mesmo dizendo: "Eu bem te avisei!"

Estive para escrever um post sobre a amiga olga fazendo um trocadilho entre a chave e o dinheiro e que bom que era se eu pudesse ao menos ter um deles (a chave ou o dinheiro indiferentemente, teria sempre a ajuda do público para escolher)

Estive para o escrever, mas não o fiz e assim ficou um post: Não como era para ser, já que não chegou a sê-lo, mas antes como foi - assim.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Contra Baixo

De todos os instrumentos, o meu favorito é o contrabaixo.
Descobri-o no fado, num concerto de Camané no CCB. Apaixonei-me por ele no Tango.
É o mais discreto dos instrumentos, apesar do seu tamanho, do seu peso, da gravidade do seu som.
Recusa sempre, quase sempre, o papel principal, mas nele repousam todas as grandes interpretações (nos óscares ganharia certamente o de "best performance in a supporting role"), é ele que marca o ritmo, o compasso, o sentimento.
Ás vezes distraidos ignoramos a sua presença, mas ele está lá, sempre lá na sua omnipresença.
Noutras aparece. Destacado. Ousado e os outros seguem, algo timidos perante aquela presença marcante

sexta-feira, outubro 19, 2007

Starting Point

89.2 / 27.8 medidos ás 10:40 minutos logo a seguir ao PA.

Com uma firme determinação traço os objectivos a atingir até ao fim de Novembro: 80.0 / 24.9 - o ponto em que deixo de estar na categoria do excesso de peso.

Pelo meio uma aposta com este aqui para ver quem atinge os melhores resultados durante o mês de Novembro.

Para comemorar o inicio do percurso vou almoçar ao Painel de Alcântara com o exemplo a seguir, para apenas comer 3/4 da minha vontade.

terça-feira, outubro 16, 2007

"Se puderes olhar vê, Se puderes ver repara"

O "Ensaio sobre a Cegueira" vai passar a filme.

Realizado por Fernando Meireles (o mesmo de "o fiel jardineiro" e "A Cidade de Deus"), somos convidados a acompanhar o processo de realização (do guião às filmagens) no blog do realizador.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Um ano depois...

A minha filha fez ontem um ano. Mãe e Pai tiraram o dia inteiro para mimos e brincadeiras que incluiram um passeio ao oceanário (onde o que ela mais gostou foram os candeiros imbutidos no chão), uma aula de sobrevivência na água e um fim de dia com avós e tios...

(a foto será colocda em breve quando o blogger deixar :( )


terça-feira, outubro 09, 2007

Aprender novas palavras (1)

Para dar inicio a uma série de post que ilustram que eu pouco ou nada sei mais que um miúdo de 10 anos, aqui fica uma nova palavra:

Procrastinar, do latim procrastinatus: pro- (passar, transmitir) and crastinus (de amanhã) - parece que tenho caido um pouco nessa tendência, o que segundo a wikipedia é mau, mas segundo este outro artigo até pode ser bom.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Sentido da Vida (1)

"Most are engaged in business the greater part of their lives, because the soul abhors a vacuum and they have not discovered any continuous employment for man's nobler faculties."
Henry David Thoreau


A Vida e a Morte

Tenho pensado na Morte.

Nada de depressivo ou triste, apenas consequência de uma série de acontecimentos que nela me fizeram pensar: A leitura de "todo o mundo" de Phillip Roth; a entrevista de Lobo Antunes - " A Morte é uma puta e a uma puta não se dá confiança"; e a morte do avô da Marta há cerca de uma semana - morte esperada mas que ainda (e sempre) nos apanhou de surpresa.

Tenho pensado Nela como (inevitável) ponto de chegada, revisto mentalmente o muitas vezes repetido exercicio de imaginar o nosso funeral, quem lá estaria, o que diram de mim, de que se ririam aqueles que ficaram à porta no velório (há sempre gente que fica à porta, há sempre risos até num velório).

Tenho pensado Nela, pensando no que deixarei e no que levarei na hora em que Ela chegar , naquilo que que vou construindo enquanto para Ela caminho, no que perco e deixo para trás ao longo desse caminho, no que agarro e comigo carrego, nas porta e janelas que ora abro ora fecho ao sabor das minhas (in)decisões.

Tenho pensado Nela pensado na Vida, Naquilo que define o que tem sido a minha: Alegrias e equivocos, esperanças e desilusões, trajectos por mim escolhidos ou desenhados por Deus (?).

Tenho pensado na Morte. Fixo a memória em imagens passadas: A multidão (ou assim a senti) no funeral do meu Pai, as cinzas deitadas ao mar, o cheiro quente demasiadamente doce da sala mortuária no velório do Avô da Marta, a dificuldade em encontrar palavras para exprimir pesar e dor sempre que Ela aparece.

Tenho pensado na Morte, nos seus rituais em como esquecemos ali A Vida e então celebramos a Morte.

Tenho pensado na Morte, na minha Morte, e quando esta chegar peço-vos:

abram uma garrafa de vinho, aquela que tem guardada para uma ocasiao especial e brindem à vida, chamem guitarras e cantem um fado, sentem-se à mesa e comam e riam, contando histórias e partilhando alegrias e depois larguem-me as cinzas num mar frio e com ondas devolvendo-me a Deus.

Inquietação

Ontem à noite esta música de José Mário Branco a fechar a série "conta-me como foi" na RTP (série brilhante feita em Portugal)... Encontrei a letra e uma versão ao vivo na Fnac pelo JP Simões.

Inquietação

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

quinta-feira, outubro 04, 2007

Conversas à volta de um Copo de Vinho (2)

Miles Raymond: What about you?
Maya: What about me?
Miles Raymond: I don't know. Why are you into wine?
Maya: Oh I... I think I... I originally got in to wine through my ex-husband.
Miles Raymond: Ah.
Maya: You know, he had this big, sort of show-off cellar, you know.
Miles Raymond: Right.
Maya: But then I discovered that I had a really sharp palate.
Miles Raymond: Uh-huh.
Maya: And the more I drank, the more I liked what it made me think about.
Miles Raymond: Like what?
Maya: Like what a fraud he was.
[Miles laughs softly]
Maya: No, I- I like to think about the life of wine.
Miles Raymond: Yeah.
Maya: How it's a living thing. I like to think about what was going on the year the grapes were growing; how the sun was shining; if it rained. I like to think about all the people who tended and picked the grapes. And if it's an old wine, how many of them must be dead by now. I like how wine continues to evolve, like if I opened a bottle of wine today it would taste different than if I'd opened it on any other day, because a bottle of wine is actually alive. And it's constantly evolving and gaining complexity. That is, until it peaks, like your '61. And then it begins its steady, inevitable decline.
Miles Raymond: Hmm.
Maya: And it tastes so fucking good.

Sideways 2004

Conversas à volta de um Copo de Vinho




Maya
: You know, can I ask you a personal question, Miles?
Miles Raymond: Sure.
Maya: Why are you so in to Pinot?
Miles Raymond: [laughs softly]
Maya: I mean, it's like a thing with you.
Miles Raymond: [continues laughing softly]
Miles Raymond: Uh, I don't know, I don't know. Um, it's a hard grape to grow, as you know. Right? It's uh, it's thin-skinned, temperamental, ripens early. It's, you know, it's not a survivor like Cabernet, which can just grow anywhere and uh, thrive even when it's neglected. No, Pinot needs constant care and attention. You know? And in fact it can only grow in these really specific, little, tucked away corners of the world. And, and only the most patient and nurturing of growers can do it, really. Only somebody who really takes the time to understand Pinot's potential can then coax it into its fullest expression. Then, I mean, oh its flavors, they're just the most haunting and brilliant and thrilling and subtle and... ancient on the planet.

Sideways 2004

Sobre o Fado

"...
Ouvindo-a sou quem seria
Se desejar fosse ser…
É uma simples melodia
Das que se aprendem a viver…
...
"

"Há uma Música do Povo" - Fernando Pessoa

terça-feira, setembro 11, 2007

Step By Step

Tenho resistido a falar aqui da Francisca e das sua descobertas. Mas a minha filha faz hoje 11 meses, e entre a primeira aula de natação, desculpem, sobrevivência na Água e os primeiros passos sozinha que deu este fim de semana, tenho encontrado nela muita inspiração..

Vencido o medo, conquistado o equilibrio em pequenos passos atrás do Doodoo ora no colo da mãe, ora no colo do Pai a Francisca começou a andar sozinha este Fim de Semana.

Sempre que se ultrapassa, ela olha para trás, como que a decorar e a beber cada passo no seu novo sucesso - 3 passos, 10 passos, 22 passos, 50 passos , depois celebra com um sorriso e um grito de exultação.

São pequenas conquistas de hoje que daqui a dias - perante os degraus, os muros, os outros meninos e meninas - terão perdido o seu significado - mas que hoje ao vê-la celebrar me apetece guardar para todo o sempre.

quinta-feira, setembro 06, 2007

A time to dare

Quando em 94 fui à minha primeira reunião internacional da AIESEC, recebi um welcome booklet que tinha nas páginas centrais um texto/poema.

"if there ever was a time to Dare, to make a difference" começava o texto, e o resto das palavras serviam de inspiração para quem na altura "era jovem e tinha sonhos" de mudar o mundo....

Hoje os sonhos tomaram outras formas, procuro (nem sempre consigo) fazer a diferença em cada dia, em cada pequena acção, mas mesmo assim as palavras abaixo continuam a servir de inspiração.... perdido que estava o booklet, encontrei-as de novo (Thank you Google) e aqui as deixo:

"Dream Big"

If there were ever a time to dare,
to make a difference,
to embark on something new,
it is now.
Not for any grand cause, necessarily—
but for something that tugs at your heart,
something that’s your aspiration,
something that’s your dream.

You owe it to yourself to make your days here count.
Have fun.
Dig deep.
Stretch.

Dream big.

Know, though, that things worth doing seldom come easy.
There will be good days.
And there will be bad days.
There will be times when you want to turn around,
pack it up, and call it quits.
Those times tell you that you are pushing yourself,
that you are not afraid to learn by trying.

Persist.

Because with an idea,
determination, and the right tools,
you can do great things.
Let your instincts,
your intellect,
and your heart guide you.

Trust.

Believe in the incredible power of the human mind.
|Of doing something that makes a difference.
Of working hard.
Of laughing and hoping.
Of lazy afternoons.
Of lasting friends.
Of all the things that will cross your path this year.

The start of something new brings the hope of something great.
Anything is possible.
There is only one you.
And you will pass this way only once.

Do it right.

Dream Big
Autor: Desconhecido

quarta-feira, setembro 05, 2007

Dedicado aqueles que ficam na história da minha História

Ainda a propósito de Fado e Poesia, ao vivo em Lisboa na voz de Mariza e nas palavras de Jorge Fernando, aqui fica ...

dedicado a todos os que retiram o vulgar dos meus dias, em palavras que eu não conseguiria escrever, mas que ao ler me recordam cada um de vocés...

"As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
(...)"

O Fado também se dança, o Fado também se diz.

Tango, Fado e Poesia... Cada um por si, um apelo às emoções. Juntos uma mistura explosiva, electrcidade à solta.

Gosto de Fado. De fechar os olhos e me deixar levar pelo chorar da guitarra pelos detalhes da voz. Gosto do Fado triste, nostálgico, espelho dos dias. Gosto também daquele que corre, que conta, que se alegra. Gosto do Fado

Gosto da poesia e dos poetas. Da sua capacidade de dizer o que me (lhes) (nos) vai na alma de uma forma única. Gosto de encontrar nas palavras tudo aquilo que (tantas) vezes não consigo expressar.

Gosto de ouvir e dançar o Tango (e com esta afirmação não me escapo às aulas este ano). Gosto do som do bandaleon, da forma como permanece. Gosto do contrabaixo e do peso que dá ao ritmo. Gosto das emoções contidas e ao mesmo tempo expostas na dança.

Aqui vos deixo: Fado, Poesia e Tango, na voz de Camané, nas palavras de Fernando Pessoa e nos passos de Juan e Graciana. Silêncio que se vai cantar o Fado, dizer Poesia e dançar o Tango...

terça-feira, setembro 04, 2007

Fabrico Próprio - Aventuras e Desventuras no reino das pastelarias em Portugal

Dando seguimento a uma problemática brilhantemente narrada aqui pelo Tiago, venho ilustrar a minha preocupação pelo tratamento dado ao Salgado em tantas pastelarias de Fabrico Próprio em Portugal.

Ainda a semana passada, com alguma larica a pedir consolo, parei o carro (sim que a busca do salgado não se faz a pé) a porta de uma excelente pastelaria em Cascais, entrei, olhei a vitrine, e pedi - Uma empada e um café...

Reparem aqui que eu fiz a ressalva - uma excelente pastelaria, daquelas de fabrico próprio, vitrine imponente a despertar desejos doces e salgados. Não fora, por isso, uma escolha cega, já lá antes tinha parado, comido e saido a maior parte das vezes satisfeito, factos que, aliados à sensação de vazio no estomâgo, só me aumentavam a expectativa.

Feita a ressalva prossigo com o relato... ali em pé, ao balcão, aguardei o meu pedido. Coloquei açucar no cáfe, mexi-o meio perdido nos meus pensamentos e distraidamente trinquei a empada e.... OHHH SACRILÉGIO... a massa (folhada no caso) apresentava-se seca, não estaladiça... o recheio (escasso) podia ser frango ou vitela tão incipiente se revelava... é verdade que comi e calei, paguei os 1,65€ que me pediram por café e salgado e sai incomodado com o sabor que trazia na boca...

O Alerta do Tiago faz por isso todo o sentido... onde andam os croquetes e rissois, cadê o bacalhau dos pasteis, bola de carne quem a vê e a bela da empada onde pára... quem os trocou por pré congelados mistos de espinafres e queijo, mini quiches, e merendas... dura é a vida de um salgado no reino das pastelarias em Portugal.

O tempo que o Tempo tem

"Time waits for no man. Time heals all wounds. All any of us can wants, is more time. Time to stand up. Time to grow up. Time to let go."

Meredith, Grey's Anatomy


Longe vai o tempo de lengalenga, do Tempo perguntar ao Tempo quanto tempo o Tempo tem.
Longe vai o tempo em que o Tempo respondia ao Tempo que o Tempo tem tanto tempo quanto tempo o Tempo tem.

Prisioneiros do Tempo, a correr contra Ele (o Tempo), em busca de mais e mais (tempo), sem tempo para olhar, parar, disfrutar... até aquele dia em que ele (o Tempo) nos diz que não, mais não, está-se a acabar (o tempo). Ai olhamos nostálgicos para o outro (tempo), o que já passou, o que já não vem, e perguntamo-nos o que fizemos dele (o Tempo).

Vem isto a propósito de uma noticia que li ou de uma experiência que já vivi por intermédio de outra pessoa. O momento ou o segundo em que o nosso tempo pára (e esse outro Tempo, indiferente, continua a correr), e tudo muda.

Vem isto a propósito de uma pergunta que não me sai da cabeça: O que ando eu a fazer do meu Tempo? para onde caminham as minhas Horas?

... o tempo chama! já perdi demasiado (tempo) com este post... Será que ainda vou a tempo de ganhar o dia?


segunda-feira, setembro 03, 2007

Energias Renováveis

Esgotado! Segunda Feira. Setembro a começar, e sinto-me sem energia. Ando em contra ciclo, passando a semana a ganhar (procurar) energia e chego a Domingo já sem ela.

Onde estão fontes de energia renovável. Preciso de vento ou mar, sol ou milho que me façam correr...

sexta-feira, agosto 31, 2007

(im)paciências

"Sometimes the greatest journey is the distance between two people"



Devia esperar. Devia terminar a leitura, fechar o livro e então sim ver o filme.
Infelizmente não vai aconteçer.
Programa para a noite de hoje: "The painted veil" adaptado do romance de Sommerset Maugham. A Marta já leu o livro e diz que é imperdivel. Eu tenho-o guardado para a viagem a Marrakesh. Para já fico com o filme. Espero que não me estrague o livro.

quinta-feira, agosto 30, 2007

O Milagre do Fogo (que não aconteceu)

30 Agosto de 2003. Não estava no Hospital quando partiste. Ligaram-me. Tinha ido a casa preparar a tua roupa. Hesitei entre ir-me despedir de ti ao Guincho ou correr para o Hospital. No meio da encruzilhada, da dúvida, o telefonema - Vem!!! - Disseram-me então. Não recordo nada do caminho, recordo um último abraço no teu corpo que já arrefecia, uma angústia no peito que teima (ainda) em permanecer. A saudade física e eterna que se instalou.

Retenho o verso de Tolentino que li (e reli, e reli)... aqui em tua memória...

(...)
há quem diga
a vida é um pau de fósforo

escasso demais

para o milagre do fogo

(...)

quarta-feira, agosto 29, 2007

Os amores de rua, a Raposa e o Principe que a Cativou

A propósito da morte de Francisco Umbral, a TSF repetiu ontem a entrevista Pessoal e Transmisivel com o Autor e Jornalista... do diálogo interessante retive a frase " Busco el amor por las Calles..."

O Amor nas Ruas, esclarecido pelo autor, como aquele que passa, que observamos, que encontramos está brilhantemente exibido no inicio do filme Closer, uma das melhores aberturas de filme que vi no cinema.




O Amor das Ruas, da mulher que passa, da luz do fim do dia, do encantamento momentaneo é o oposto do Amor Cativo, que se constroi, que se escolhe e que é maravilhosamente ilustrado no dialogo da Raposa e do Principe.

Num e noutro a certeza: "Que não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure"

quinta-feira, agosto 23, 2007

Ficar Só

Abro aqui este post só para fazer referência a este texto e foto tirados daqui.

A foto mostra o momento pós comemoração do 2º golo ao FC Copenhaga, o texto centra-se no olhar do Maestro - Rui Costa

" (...)
Esta expressão grave, de dentes cerrados, revela um jogador ferido que foi obrigado a recuperar o brilho fazendo extraordinariamente bem aquilo que sempre soube fazer bem, ultrapassando-se.
Este rosto ainda queimado pelo sol das férias relembra a parangona que diz “quem sabe nunca esquece”, ainda que nos pés venha ainda colada alguma areia fina das praias do Algarve.
Esta cara de alegria travada, de alegria que parou antes de chegar à garganta, mostra um jogador renascido e de novo amado por aquilo que é e por aquilo que sabe fazer, sem grandes piruetas nem mortais à retaguarda.
Esta cara tem um olhar incerto, abstracto, para lá do círculo do estádio. É um olhar perdido de alguém que foi reencontrado por milhares em êxtase à sua volta, por milhões a olhar para si.
Esta cara é quase a ausência de emoção no meio do turbilhão de emoções que rebentam depois da bola entrar na baliza. É também uma cara de pequena vingança para quem menosprezou, espezinhou e foi malcriado. É a cara de um homem que, num momento de comunhão e adrenalina total, quis ficar só. Como quem enfrenta a besta sem gritar pela 7ª Companhia.
(...) "

Vinícius de Moraes - Soneto de Fidelidade

Como prometido, aqui fica o dito embora não no La FUSA

Soneto da fidelidade

O Poema fez parte da missa do meu casamento.

É um dos mais belos textos de Vinicius de Moraes, boémio e apaixonado poeta e músico Brasileiro. No disco "Ao vivo em La Fusa" com Maria Creuza e Toquinho, Vinicius diz este poema entre a música "eu sei que vou te amar" ... a voz, e o poema ficaram para sempre marcados na minha memória (e todo o disco vale a pena).

Aqui fica o Poema e já a seguir na voz de Vinicius.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Os loucos de Lisboa

Caminha decidido rua acima, caminha ignorando os carros em direcção oposta, eles que se desviem, eles que deixem passar a sua loucura.

Encontro-o recorrentemente no café, cigarro entre os dedos. Ou caminhando, sempre caminhando, passo lento, lento mas decidido, gabardine de cabedal em pleno verão, óculos que lhe escondem a loucura nos olhos, posse de Lone Ranger, justiceiro só e louco.

Dele sei pouco, o nome que lhe oiço no café - João, Sr. João, que até louco merece respeito. Nada mais, tudo o resto é loucura, assumida e vivida, indiferente à outra loucura que o rodeia, à que caminha apressada, aos carros que fogem em direcção a uma rotina, único escape da loucura.

Ao vê-lo, fico sempre com a pergunta: Que passo me separa deste Homem, o que me (nos) mantém a salvo da loucura, desta loucura...

terça-feira, agosto 21, 2007

Purga II

Lisbon Revisited
por Álvaro de Campos

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Purga

Nada como Álvaro Campos para expurgar esta falta de vontade, este outono dentro de mim.

Vilegiatura
O sossego da noite, na vilegiatura no alto;
O sossego, que mais aprofunda
O ladrar esparso dos cães de guarda na noite;
O silêncio, que mais se acentua,
Porque zumbe ou murmura uma coisa nenhuma no escuro ...
Ah, a opressão de tudo isto!
Oprime como ser feliz!
Que vida idílica, se fosse outra pessoa que a tivesse
Com o zumbido ou murmúrio monótono de nada
Sob o céu sardento de estrelas,
Com o ladrar dos cães polvilhando o sossego de tudo!

Vim para aqui repousar,
Mas esqueci-me de me deixar lá em casa,
Trouxe comigo o espinho essencial de ser consciente,
A vaga náusea, a doença incerta, de me sentir.

Sempre esta inquietação mordida aos bocados
Como pão ralo escuro, que se esfarela caindo.
Sempre este mal-estar tomado aos maus haustos
Como um vinho de bêbado quando nem a náusea obsta.

Sempre, sempre, sempre
Este defeito da circulação na própria alma,
Esta lipotimia das sensações,
Isto...

(Tuas mãos esguias, um pouco pálidas, um pouco minhas,
Estavam naquele dia quietas pelo teu regaço de sentada,
Como e onde a tesoira e o ideal de uma outra.
Cismavas, olhando-me, como se eu fosse o espaço.
Recordo para ter em que pensar, sem pensar.
De repente, num meio suspiro, interrompeste o que estavas sendo.
Olhaste conscientemente para mim, e disseste:
"Tenho pena que todos os dias não sejam assim" —
Assim, como aquele dia que não fora nada ...

Ah, não sabias,
Felizmente não sabias,
Que a pena é todos os dias serem assim, assim:
Que o mal é que, feliz ou infeliz,
A alma goza ou sofre o íntimo tédio de tudo,
Consciente ou inconscientemente,
Pensando ou por pensar
Que a pena é essa ...

Lembro fotograficamente as tuas mãos paradas,
Molemente estendidas.
Lembro-me, neste momento, mais delas do que de ti.
Que será feito de ti?
Sei que, no formidável algures da vida,
Casaste. Creio que és mãe. Deves ser feliz.
Por que o não haverias de ser?

Só por maldade...
Sim, seria injusto...
Injusto?

(Era um dia de sol pelos campos e eu dormitava, sorrindo.)
.......................................................................................................
A vida...
Branco ou tinto, é o mesmo: é para vomitar.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sia - Breath Me 2

Breath Me

Agosto. E ela volta. A neura entenda-se. O peso em cada passo, a vontade que levo tempos a descobrir. Entro em modo de Outono em pleno Verão, e perco os dias qual folhas caducas...

Vale-me a banda sonora a condizer:

Sia- Breath Me

Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
I'm needy
Warm me up
And breathe me

Ouch I have lost myself again
Lost myself and I am nowhere to be found,
Yeah I think that I might break
I've lost myself again and I feel unsafe

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
I'm needy
Warm me up
And breathe me

quinta-feira, agosto 16, 2007

Em tempo de Homenagens (na 2)


Deixa ficar a flor,

A morte na gaveta,
O tempo no degrau.

Conheces o degrau
Depois do patamar;
O que range ao passares;
O que foi esconderijo
Do maço de cigarros
Fumados às escondidas...

Deixa ficar a flor.

E nem murmures. Deixa
O tempo no degrau,
A morte na gaveta.

Conheces a gaveta:
A primeira da esquerda,
Que se mantém fechada.
Quem atirou a chave
Pela janela fora?
Na batalha do ódio,
Destruam-se, fechados,
Sem tréguas, os retratos!

Deixa ficar a flor.

A flor? Não a conheces.
Bem sei. Nem eu . Nem niguém.

Deixa ficar a flor.

Não digas nada. Ouve.
Não ouves o degrau?

Quem sobe agora a escada?
Como vem devagar!
Tão devagar que sobe...

Não digas nada. Ouve:
É com certeza alguém,
Alguém que traz a chave.

Deixa ficar a flor.

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, julho 20, 2007

Eco - Me

Este blog está sobre um fundo negro, contribundo dessa forma para poupar energia sempre que os 4 ou 5 visitantes diários por aqui passam.

Para saber mais sobre os efeitos de um ecrãn negro vejam aqui.

Para agir sobre este facto usem www.blackle.com

ou visitem este blog :)

O fio de um cabelo

"(...)
esta verdade quase banal
que toda a vida fui"


* Excerto de um poema que (hoje) me encontrou. O seu autor - José Tolentino Mendonça

Vou de férias nos próximos tempos pelo que não actualizarei esta verdade banal que por vezes (raramente) aqui ( vos ) trago.

terça-feira, julho 17, 2007

Filosofias (2)

Jack Bauer: Part of getting a second chance is taking responsibility for the mess you made in the first place.

24 Season 1

Filosofias

A couple of hundred years ago, Benjamin Franklin shared with the world the secret of his success. Never leave that till tomorrow, he said, which you can do today.

This is the man who discovered electricity. You think more people would listen to what he had to say.

I don't know why we put things off, but if I had to guess, I'd have to say it has a lot to do with fear.

Fear of failure, fear of rejection, sometimes the fear is just of making a decision, because what if you're wrong? What if you're making a mistake you can't undo?

The early bird catches the worm. A stitch in time saves nine. He who hesitates is lost. We can't pretend we hadn't been told.
We've all heard the proverbs, heard the philosophers, heard our grandparents warning us about wasted time, heard the damn poets urging us to seize the day.

Still sometimes we have to see for ourselves. We have to make our own mistakes. We have to learn our own lessons. We have to sweep today's possibility under tomorrow's rug until we can't anymore.

Until we finally understand for ourselves what Benjamin Franklin really meant. That knowing is better than wondering, that waking is better than sleeping, and even the biggest failure, even the worst, beat the hell out of never trying.

Greys Anatomy Season 1 Ep 7

sexta-feira, julho 13, 2007

A Vida é tão Rara (2)

A Vida é tão Rara

Encontrei a letra por aí, algures num outro Blog. Não andava à procura mas (hoje) fez-me sentido.

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara


segunda-feira, julho 09, 2007

Pledge

1.To demand that my country join an international treaty within the next 2 years that cuts global warming pollution by 90% in developed countries and by more than half worldwide in time for the next generation to inherit a healthy earth;
2.To take personal action to help solve the climate crisis by reducing my own CO2 pollution as much as I can and offsetting the rest to become "carbon neutral;"
3.To fight for a moratorium on the construction of any new generating facility that burns coal without the capacity to safely trap and store the CO2;
4.To work for a dramatic increase in the energy efficiency of my home, workplace, school, place of worship, and means of transportation;
5.To fight for laws and policies that expand the use of renewable energy sources and reduce dependence on oil and coal;
6.To plant new trees and to join with others in preserving and protecting forests; and,
7.To buy from businesses and support leaders who share my commitment to solving the climate crisis and building a sustainable, just, and prosperous world for the 21st century.

Live Earth

De todos os discursos do dia 7-7-7 gostei especialmente do inicio do 2º do AL Gore.

Falou ele de um provérbio africano que reza assim:

Se queres ir depressa vai sozinho
Se queres ir longe vai junto

Junto, nesse dia, e em jeito de tributo ao Live Earth, descemos as falésias perto do cabo espichel para disfrutar do melhor que este planeta tem para partilhar. As sardinhas do mar de Sesimbra, assadas na grelha. As cervejas refrescadas pelo frio da mesma água. A energia do Sol, das ondas e do vento retemperou as nossas forças.

No final deixamos tudo como encontramos. Para que as gerações futuras possam continuar a disfrutar.

segunda-feira, junho 25, 2007

4 x 365 Dias

Há 4 anos as nuvens não enchiam o céu como hoje.
Estavam lá presentes nas nossas consciências, mas o sol ainda brilhava.

foram dias de esperança: Tu parecias melhor, voltaras a sorrir e planeavas alegramente a noite de comemoração dos teus 60 anos. Foram dias felizes. Dias em que esquecemos as nuvens e deixamos o sol brilhar dentro de nós.

Em 4 anos muito mudou: Partistes... 60 e poucos dias depois partiste. Por cá ficaram o sol e as nuvens. Dias felizes e dias de saudades, e muitos, tantos dias de mudança... sem ti.

O show continuou, como tu virias a pedir menos de 60 dias depois deste mesmo dia à 4 anos... como seria se tu tens ficado? Onde estaria eu agora contigo aqui? Não vale a pena perguntar... tu partiste e comigo ficou a saudade. Vou continuar.

Um Beijo

sexta-feira, junho 22, 2007

Encruzilhadas

Perfume de Mulher: Al Pacino

[Lt. Col. Frank Slade is speaking in defense of Charlie Simms at meeting at the Baird School] "Now I have come to the cross-roads in my life - and I knew, without exception, I knew - which path was the right one - but I never took it. And do you know why? Because It was too damned hard. Now here's Charlie, he's come to the cross-roads, and he has chosen a path. It's the right path. A path that is made of principle, which leads to character. Now that's the stuff leaders should be made of."


Hoje. Este Discurso.
Para me lembrar que nem sempre é fácil o caminho

terça-feira, junho 19, 2007

segunda-feira, junho 18, 2007

Os Outros: Todos Diferentes, Todos Iguais

Num mundo tão diverso ou cada vez mais global, que respostas damos às grandes questões da vida?
Somos tão diferentes, tão iguais...

Somos 6 biliões de outros

As nossas verdades, diferenças igualdades aqui expostas em mais um brilhante projecto de Yann Arthus-Bertrand

Post Scriptum

Estou de volta em mais uma tentativa...

domingo, junho 17, 2007

Jardim Infantil

Porque ela cresce todos os dias...
Lembrei-me de um texto que li há já alguns anos na t-shirt da direcção do CN da AIESEC Portugal... googled it! . Aqui fica:

All I Really Need To Know
About How To Live and What To Do And How To Be, I learned in Kindergarten.


by Robert Fulghum

These are the things I learned:

Share everything.
Play fair.
Don't hit people.
Put things back where you found them.
Clean up your own mess.
Don't take things that aren't yours.
Say you're sorry when you hurt somebody.
Wash your hands before you eat.
Flush.
Warm cookies and cold milk are good for you.
Live a balanced life--learn some and think some and draw and paint and sing and
dance and play and work every day some.
Take a nap every afternoon.
When you go out into the world, watch out for traffic, hold hands, and
stick together.
Be aware of wonder. Remember the little seed in the Styrofoam cup: The roots go
down and the plant goes up and nobody really knows how or
why, but we are all like that.
Goldfish and hamsters and white mice and even the little seed in the
styrofoam cup; they all die. So do we.
And then remember the Dick-and-Jane books and the first word you
learned; the biggest word of all-- LOOK.
Everything you need to know is there somewhere. The Golden Rule and
love and basic sanitation, ecology, and politics and the sane living.
Think of what a better world it would be if we all, the whole world, had
cookies and milk about 3 o'clock every afternoon and then lay down with our blankets
for a nap.
Or we had a basic policy in our nation and other
nations to always put things back where we found them and clean up our own messes.
And it is still true; no matter how old you are, when you go
out in the world, it is best to hold hands and stick together.

--- Robert Fulghum