terça-feira, agosto 21, 2007

Purga

Nada como Álvaro Campos para expurgar esta falta de vontade, este outono dentro de mim.

Vilegiatura
O sossego da noite, na vilegiatura no alto;
O sossego, que mais aprofunda
O ladrar esparso dos cães de guarda na noite;
O silêncio, que mais se acentua,
Porque zumbe ou murmura uma coisa nenhuma no escuro ...
Ah, a opressão de tudo isto!
Oprime como ser feliz!
Que vida idílica, se fosse outra pessoa que a tivesse
Com o zumbido ou murmúrio monótono de nada
Sob o céu sardento de estrelas,
Com o ladrar dos cães polvilhando o sossego de tudo!

Vim para aqui repousar,
Mas esqueci-me de me deixar lá em casa,
Trouxe comigo o espinho essencial de ser consciente,
A vaga náusea, a doença incerta, de me sentir.

Sempre esta inquietação mordida aos bocados
Como pão ralo escuro, que se esfarela caindo.
Sempre este mal-estar tomado aos maus haustos
Como um vinho de bêbado quando nem a náusea obsta.

Sempre, sempre, sempre
Este defeito da circulação na própria alma,
Esta lipotimia das sensações,
Isto...

(Tuas mãos esguias, um pouco pálidas, um pouco minhas,
Estavam naquele dia quietas pelo teu regaço de sentada,
Como e onde a tesoira e o ideal de uma outra.
Cismavas, olhando-me, como se eu fosse o espaço.
Recordo para ter em que pensar, sem pensar.
De repente, num meio suspiro, interrompeste o que estavas sendo.
Olhaste conscientemente para mim, e disseste:
"Tenho pena que todos os dias não sejam assim" —
Assim, como aquele dia que não fora nada ...

Ah, não sabias,
Felizmente não sabias,
Que a pena é todos os dias serem assim, assim:
Que o mal é que, feliz ou infeliz,
A alma goza ou sofre o íntimo tédio de tudo,
Consciente ou inconscientemente,
Pensando ou por pensar
Que a pena é essa ...

Lembro fotograficamente as tuas mãos paradas,
Molemente estendidas.
Lembro-me, neste momento, mais delas do que de ti.
Que será feito de ti?
Sei que, no formidável algures da vida,
Casaste. Creio que és mãe. Deves ser feliz.
Por que o não haverias de ser?

Só por maldade...
Sim, seria injusto...
Injusto?

(Era um dia de sol pelos campos e eu dormitava, sorrindo.)
.......................................................................................................
A vida...
Branco ou tinto, é o mesmo: é para vomitar.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sia - Breath Me 2

Breath Me

Agosto. E ela volta. A neura entenda-se. O peso em cada passo, a vontade que levo tempos a descobrir. Entro em modo de Outono em pleno Verão, e perco os dias qual folhas caducas...

Vale-me a banda sonora a condizer:

Sia- Breath Me

Help, I have done it again
I have been here many times before
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
I'm needy
Warm me up
And breathe me

Ouch I have lost myself again
Lost myself and I am nowhere to be found,
Yeah I think that I might break
I've lost myself again and I feel unsafe

Be my friend
Hold me, wrap me up
Unfold me
I am small
I'm needy
Warm me up
And breathe me

quinta-feira, agosto 16, 2007

Em tempo de Homenagens (na 2)


Deixa ficar a flor,

A morte na gaveta,
O tempo no degrau.

Conheces o degrau
Depois do patamar;
O que range ao passares;
O que foi esconderijo
Do maço de cigarros
Fumados às escondidas...

Deixa ficar a flor.

E nem murmures. Deixa
O tempo no degrau,
A morte na gaveta.

Conheces a gaveta:
A primeira da esquerda,
Que se mantém fechada.
Quem atirou a chave
Pela janela fora?
Na batalha do ódio,
Destruam-se, fechados,
Sem tréguas, os retratos!

Deixa ficar a flor.

A flor? Não a conheces.
Bem sei. Nem eu . Nem niguém.

Deixa ficar a flor.

Não digas nada. Ouve.
Não ouves o degrau?

Quem sobe agora a escada?
Como vem devagar!
Tão devagar que sobe...

Não digas nada. Ouve:
É com certeza alguém,
Alguém que traz a chave.

Deixa ficar a flor.

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, julho 20, 2007

Eco - Me

Este blog está sobre um fundo negro, contribundo dessa forma para poupar energia sempre que os 4 ou 5 visitantes diários por aqui passam.

Para saber mais sobre os efeitos de um ecrãn negro vejam aqui.

Para agir sobre este facto usem www.blackle.com

ou visitem este blog :)

O fio de um cabelo

"(...)
esta verdade quase banal
que toda a vida fui"


* Excerto de um poema que (hoje) me encontrou. O seu autor - José Tolentino Mendonça

Vou de férias nos próximos tempos pelo que não actualizarei esta verdade banal que por vezes (raramente) aqui ( vos ) trago.

terça-feira, julho 17, 2007

Filosofias (2)

Jack Bauer: Part of getting a second chance is taking responsibility for the mess you made in the first place.

24 Season 1

Filosofias

A couple of hundred years ago, Benjamin Franklin shared with the world the secret of his success. Never leave that till tomorrow, he said, which you can do today.

This is the man who discovered electricity. You think more people would listen to what he had to say.

I don't know why we put things off, but if I had to guess, I'd have to say it has a lot to do with fear.

Fear of failure, fear of rejection, sometimes the fear is just of making a decision, because what if you're wrong? What if you're making a mistake you can't undo?

The early bird catches the worm. A stitch in time saves nine. He who hesitates is lost. We can't pretend we hadn't been told.
We've all heard the proverbs, heard the philosophers, heard our grandparents warning us about wasted time, heard the damn poets urging us to seize the day.

Still sometimes we have to see for ourselves. We have to make our own mistakes. We have to learn our own lessons. We have to sweep today's possibility under tomorrow's rug until we can't anymore.

Until we finally understand for ourselves what Benjamin Franklin really meant. That knowing is better than wondering, that waking is better than sleeping, and even the biggest failure, even the worst, beat the hell out of never trying.

Greys Anatomy Season 1 Ep 7

sexta-feira, julho 13, 2007

A Vida é tão Rara (2)

A Vida é tão Rara

Encontrei a letra por aí, algures num outro Blog. Não andava à procura mas (hoje) fez-me sentido.

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara


segunda-feira, julho 09, 2007

Pledge

1.To demand that my country join an international treaty within the next 2 years that cuts global warming pollution by 90% in developed countries and by more than half worldwide in time for the next generation to inherit a healthy earth;
2.To take personal action to help solve the climate crisis by reducing my own CO2 pollution as much as I can and offsetting the rest to become "carbon neutral;"
3.To fight for a moratorium on the construction of any new generating facility that burns coal without the capacity to safely trap and store the CO2;
4.To work for a dramatic increase in the energy efficiency of my home, workplace, school, place of worship, and means of transportation;
5.To fight for laws and policies that expand the use of renewable energy sources and reduce dependence on oil and coal;
6.To plant new trees and to join with others in preserving and protecting forests; and,
7.To buy from businesses and support leaders who share my commitment to solving the climate crisis and building a sustainable, just, and prosperous world for the 21st century.

Live Earth

De todos os discursos do dia 7-7-7 gostei especialmente do inicio do 2º do AL Gore.

Falou ele de um provérbio africano que reza assim:

Se queres ir depressa vai sozinho
Se queres ir longe vai junto

Junto, nesse dia, e em jeito de tributo ao Live Earth, descemos as falésias perto do cabo espichel para disfrutar do melhor que este planeta tem para partilhar. As sardinhas do mar de Sesimbra, assadas na grelha. As cervejas refrescadas pelo frio da mesma água. A energia do Sol, das ondas e do vento retemperou as nossas forças.

No final deixamos tudo como encontramos. Para que as gerações futuras possam continuar a disfrutar.

segunda-feira, junho 25, 2007

4 x 365 Dias

Há 4 anos as nuvens não enchiam o céu como hoje.
Estavam lá presentes nas nossas consciências, mas o sol ainda brilhava.

foram dias de esperança: Tu parecias melhor, voltaras a sorrir e planeavas alegramente a noite de comemoração dos teus 60 anos. Foram dias felizes. Dias em que esquecemos as nuvens e deixamos o sol brilhar dentro de nós.

Em 4 anos muito mudou: Partistes... 60 e poucos dias depois partiste. Por cá ficaram o sol e as nuvens. Dias felizes e dias de saudades, e muitos, tantos dias de mudança... sem ti.

O show continuou, como tu virias a pedir menos de 60 dias depois deste mesmo dia à 4 anos... como seria se tu tens ficado? Onde estaria eu agora contigo aqui? Não vale a pena perguntar... tu partiste e comigo ficou a saudade. Vou continuar.

Um Beijo

sexta-feira, junho 22, 2007

Encruzilhadas

Perfume de Mulher: Al Pacino

[Lt. Col. Frank Slade is speaking in defense of Charlie Simms at meeting at the Baird School] "Now I have come to the cross-roads in my life - and I knew, without exception, I knew - which path was the right one - but I never took it. And do you know why? Because It was too damned hard. Now here's Charlie, he's come to the cross-roads, and he has chosen a path. It's the right path. A path that is made of principle, which leads to character. Now that's the stuff leaders should be made of."


Hoje. Este Discurso.
Para me lembrar que nem sempre é fácil o caminho

terça-feira, junho 19, 2007

segunda-feira, junho 18, 2007

Os Outros: Todos Diferentes, Todos Iguais

Num mundo tão diverso ou cada vez mais global, que respostas damos às grandes questões da vida?
Somos tão diferentes, tão iguais...

Somos 6 biliões de outros

As nossas verdades, diferenças igualdades aqui expostas em mais um brilhante projecto de Yann Arthus-Bertrand

Post Scriptum

Estou de volta em mais uma tentativa...

domingo, junho 17, 2007

Jardim Infantil

Porque ela cresce todos os dias...
Lembrei-me de um texto que li há já alguns anos na t-shirt da direcção do CN da AIESEC Portugal... googled it! . Aqui fica:

All I Really Need To Know
About How To Live and What To Do And How To Be, I learned in Kindergarten.


by Robert Fulghum

These are the things I learned:

Share everything.
Play fair.
Don't hit people.
Put things back where you found them.
Clean up your own mess.
Don't take things that aren't yours.
Say you're sorry when you hurt somebody.
Wash your hands before you eat.
Flush.
Warm cookies and cold milk are good for you.
Live a balanced life--learn some and think some and draw and paint and sing and
dance and play and work every day some.
Take a nap every afternoon.
When you go out into the world, watch out for traffic, hold hands, and
stick together.
Be aware of wonder. Remember the little seed in the Styrofoam cup: The roots go
down and the plant goes up and nobody really knows how or
why, but we are all like that.
Goldfish and hamsters and white mice and even the little seed in the
styrofoam cup; they all die. So do we.
And then remember the Dick-and-Jane books and the first word you
learned; the biggest word of all-- LOOK.
Everything you need to know is there somewhere. The Golden Rule and
love and basic sanitation, ecology, and politics and the sane living.
Think of what a better world it would be if we all, the whole world, had
cookies and milk about 3 o'clock every afternoon and then lay down with our blankets
for a nap.
Or we had a basic policy in our nation and other
nations to always put things back where we found them and clean up our own messes.
And it is still true; no matter how old you are, when you go
out in the world, it is best to hold hands and stick together.

--- Robert Fulghum

quarta-feira, maio 02, 2007

As escolhas do destino

Temos dedicado os últimos serões à anatomia. Mais propriamente à "Anatomia de Grey", e aos episódios da 2ª série. ontem o tema foi se escolhemos ou se o destino escolhe por nós? a resposta é: às vezes! para qualquer um dos lados.

"Mrs. Snyder explained to me that when fate comes into play, choice sometimes goes out the window. Maybe Romeo and Juliet were fated to be together, but just for a while, and then their time passed. If they could have known that beforehand, maybe it all would have been okay. I told Mrs. Snyder that when I was grown up, I'd take fate into my own hands. I wouldn't let some guy drag me down. Mrs. Snyder said that I'd be lucky if I ever had that kind of passion with someone, and if I did, we'd be together forever. Even now, I believe that for the most part, love is about choices. It's about putting down the poison and the dagger and making your own happy ending... most of the time. And sometimes, despite all your best intentions, fate wins anyway." Meredith Grey- Grey's Anatomy - Season 2 - Let it be

segunda-feira, abril 09, 2007

Pérolas...

Numa muito interessante experiência jornalistica, o Washington Post colocou um dos maiores violinistas actuais a tocar na saida de uma estação de metro na Capital Norte Americana.

Qual músico de rua, o violinista tocou brilhantemente durante 3 quartos de hora. Vale a pena realçar que um bilhete para um espetáculo deste homem não custa menos de 100USD. Como terá corrido a experiência? quantas pessoas pararam para ouvir? quanto $$ lhe deixaram no chapéu em frente? Será que a beleza evidente é impossivel passar despercebida?

Todo o artigo e o video aqui.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

On The Rocks

É o titulo da foto que abre apartir de hoje o blog.
Porque a vida aos 30etal é feita de muitas celebrações
porque tenho muito a que brindar...
pelas estrelas que tenho na palma da mão
mas também porque por vezes é preciso beber para esquecer a saudade
a nostalgia de momentos bons que passaram
as pessoas que partiram.

A história da foto é um desses momentos.
Uum momento para celebrar,
um passeio à Argentina
Uma caminhada sobre o Glaciar Perito moreno
Um whiskey com pedras de gelo puro

Aqui fica o brinde
a mim
a vós
aos que nós gostamos
aos que gostam de nós
a tudo aquilo que ainda temos por viver
e o resto que sa f...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Post em Branco....

Este é um post em branco.
sem nada para dizer ou partilhar.
É um post fechado sobre si mesmo.
como eu.
hoje.
em branco...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Canto o Fado

Há fados tão tristes, que me alegram...
Talvez porque apesar de tristes persiste neles a esperança

Este é um deles: Triste Sorte (Oiço-o cantado pelo Camané)

Ando na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu
De uma noite menos fria
Em que não sinta agonia
De um dia a mais que morreu

Vou cantando amargurado
Mais um fado e outro fado
Que fale de um fado meu
Meu destino assim cantado
Jamais pode ser mudado
Porque do fado sou eu

Ser fadista é triste sorte
Que nos faz pensar na morte
E em tudo o que em nós morreu
Andar na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Quando Perguntas...

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde.
Amo-te directamente sem problemas nem orgulho;
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira

Pablo Neruda

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Bala(s perdidas)

"Eu provavelmente morro com o fim da luta, mas se te faz feliz..."

Balla

em memória de uma noite acordada, ainda o sol se escondia, pelo palrar da minha filha que se recusava a dormir. No fim da luta ela adormeceu e eu levantei-me para vir trabalhar.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Estrada da Luz

Ontem, terminado o jogo (nada empolgante diga-se) segui sozinho até ao carro.

Horas antes tinha-o parqueado junto à estrada da luz, (não) tão mal estacionado como em tantas outras vezes, repetindo um ritual com muitos anos.

Nos passos entre a multidão a dispersar, nos passos que dei em direccão a um carro estacionado na estrada da luz, nos passos dados como em tantas outras vezes, no carro estacionado repetindo um ritual com muitos anos, em todas estas acções, senti o peso da Tua ausência.

Sei que estás lá. Sei que me observas, me protejes e me acompanhas. Mas ontem a ausência que senti era uma ausência física, era a tua voz, o som dos teus passos, o teu silêncio (tantas vezes).

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

I can change the world...

with my own two hands"... canta Ben Harper.

Ainda conservo esse sonho, nascido algures no meu percurso universitário... o sonho de ser um agente de mudança no mundo...

Foi na AIESEC, uma associação internacional de estudantes, que verdadeiramente o descobri: Na altura falavamos do intercâmbio cultural, da interdependência, do empreendedorismo, como ferramentas para a concretização do sonho

De tempos a tempos revejo as minhas acções, a minha realidade e meço a distância ao sonho.

Há tanto por fazer.

Aqui encontro pequenas ajudas. Porque somos aquilo que fazemos. E eu ainda quero ser um agente de mudança. Alinham?

domingo, fevereiro 11, 2007

Onze do Dois

Faz hoje 4 Meses que a minha Vida ganhou um novo Ramo. O amor deu frutos. A Francisca nasceu, transformando tudo à sua volta.

Este 4º Mensário (é assim que se diz a celebração do 4º Mês de vida?) coincide com o referendo do Aborto.

Hoje votei afirmamente. Para que cada Criança nascida, seja ela fruto do acaso ou do planeamento familiar, goze do direito a ser escolha e não fatalidade, para que seja sempre desejada e amada.

O Sim ganhou.
Que todas as vidas que daqui nascam sejam tão desejadas e queridas como a da Francisca.
Que cada nascimento seja sempre fruto e transformação.
Que novos caminhos se abram a todos os que são tocados desta forma.
Que assim seja.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Urgências

O meu to do list parece o Hospital de Faro.

Está cheio de casos urgentes à espera do lado de fora da Porta.

Alguém me quer ajudar a montar um hospital de campanha para responder a tanta solicitação.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Por outro(s) Lado(s)

Poema de Ary dos Santos encontrado aqui.

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
é tão vulgar que nos cansa
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
a morte é branda e letal
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo
mau profeta
falso médico
ladrão
prostituta
proxeneta
espoleta
televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos

Oração

Parece que a dizem em todas as reuniões dos AA's

Senhor,
ajuda-me a saber aceitar as coisas que não posso mudar,
a ter a coragem de mudar o que posso mudar
e a saber destinguir umas das outras.

Que assim seja.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Preguiça!!!

Não se pode evoluir ao ignorar o desafio
È SO PREGUIÇA!!!!

Sam The Kid, Poetas de Karaoke

Tenho que me deixar disto. Este ano é o da batalha final.
Agarrar o desafio com tudo e vencer ou perder mas ir à luta

Adeus Preguiça...

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Estar Além

"Estou Além"- Foi esta a primeira gravação em estúdio de António Variações.

"Esta insatisfação, não consigo compreender, sempre esta sensação de estar a perder..." dita a letra ao mesmo tempo que afirma uma enorme força de vontade ... "vou continual a procurar a minha forma o meu lugar...".

António Variações estava muito além do seu tempo, era diferente e exibia essa diferença. Variações nasceu no concelho de amares, ainda jovem veio para Lisboa, daí para Londres e novo regresso a Lisboa. Nunca estudou música, e tudo o que escreveu começou por ensaiar só com voz num pequeno gravador caseiro. Aqui nasceu a sua música que ele classificava como um estilo "entre Nova iorque e Braga". Da sua constante busca nasceram músicas que mais de 20 anos após a sua morte levaram ao rubro milhares de jovens no festival do sudoeste. Variações criou-se, ousou e permaneceu, e devia hoje ser um exemplo para muitos empresários e governantes portugueses. Ousar ser diferente, inovar, não nos limitarmos a seguir e imitar o que já foi feito com sucesso, é o caminho para o êxito.

Vou procurar guardar a lição de Variações, até porque "vou viver, até quando eu não sei, pouco importa o que serei, quero é viver..."

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Justiça?!

É estranho o caso da criança de Torres Vedras. É estranha a noção de justiça que prende por 6 anos o Pai que 5 anos depois de ter adoptado a criança se indignou e se recusou a cumprir a ordem que o obrigava a entregar a filha ao progenitor.

A história é simples: A mãe biológica de uma criança, 3 meses após o nascimento desta entregou-a a um casal assinando um papel em que confirmava a entrega para adopção da filha a uns novos pais. Estes país criaram a criança como sua até hoje. O progenitor, que antes e após o nascimento da filha não a reconheceu, veio anos mais tarde reclamar o seu direito à filha. Ganhou esse direito em tribunal agora que a filha tem 5 anos, e a ordem judicial chegou: Retire-se a filha aos únicos pais que ela conheceu até hoje!

Eles fizeram o que qualquer pai faria: Recusaram. Ela fugiu com a criança. Ele foi preso por sequestro.

Como ontem dizia um entrevistado na Sic noticias: O Exercicio da Paternidade é muito mais do que a procriação.

Ou como entre amigos pais recentes sempre brinquei: Pai é quem cria.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Dores de Crescimento

Há dias em que a realidade nos dói.
Em que vivemos para lá das ilusões.
Dias em que descobrimos que estamos para lá dos 30, que a vida é real, que nada nem ninguêm nos protege do mau ou do papão.
Há dias em que a realidade nos esmaga, dias que fazem crescer em nós a desconfiança nos outros, a escrever claúsulas protectoras em contractos, a contactar advogados, a lutar pela justiça na barra de um tribunal.
Era tão simples a vida quando as disputas se resolviam com palmadas e castigos para quem se portava mal.

Ouvi Dizer...

que um dos vinte e um radares que a CML está a instalar em Lisboa fica no ultra rápido túnel do marquês... só se fôr para evitar derrapagens orçamentais

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Mar dos Olhos



Quem Foi... Quem Disse...
que o mar dos olhos também sabe a Sal?

quinta-feira, janeiro 11, 2007

O Cavalo de D. Afonso

Na eleição para o Pior Português de Sempre figura como candidato: O Cavalo de D. Afonso.

D. Afonso, filho do Rei D. João II, casado com a filha dos Reis Católicos de Espanha era o herdeiro da coroa portuguesa e por casamento herdeiro da coroa espanhola.

Herdeiro de D. João II o grande Rei do avanço português pelos mares, o Principe era também o seu grande plano político numa altura em que Portugal e Espanha dominavam os mares e o mundo conhecido, e que o sonho ibérico controlado por Lisboa ainda estava de pé.

Afonso nunca chegou a Rei. Caiu do Cavalo durante um passeio à beira Tejo e uma nova História começou a ser escrita

Eu voto no Cavalo.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Destino de um Sonho

Ainda do mesmo texto:

"Existem(...) várias formas de pobreza. E há, entre todas, uma que escapa às estatísticas e aos indicadores numéricos: é a penúria da nossa reflexão sobre nós mesmos.

Falo da dificuldade de nos pensarmos como sujeitos históricos, como lugar de partida e como destino de um sonho. "

Mãos à Obra

7 Sapatos Sujos

A intervenção já tem quase um ano e é de um discurso de Mia Couto na abertura do novo ano lectivo no Instituto de ciências e tecnologia em Moçambique. Mas eu só agora a descobri numa viagem por aqui. E porque estamos a começar 2007, e porque isto também faz sentido para mim, aqui em Portugal, Europa no chamado Mundo Desenvolvido, deixo-vos os 7 Sapatos Sujos de Mia Couto:

"Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:

Primeiro Sapato - A ideia de que os culpados são sempre os outros;
Segundo Sapato - A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
Terceiro Sapato - O preconceito de que quem critica é um inimigo;
Quarto Sapato - A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
Quinto Sapato - A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
Sexto Sapato - A passividade perante a injustiça;
Sétimo Sapato - A ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros."

Vale a pena ler o discurso integral: Aqui

They Tube!

Foi noticia ontem.

A PSP de Évora identificou um jovem de 13 anos que se divertia a vandalizar carros na cidade.
A prova: O video filmado com o telemóvel e disponível no You Tube. Quem disponibilizou o video na net: O próprio jovem, na sua página do Hi5.

É impressão minha ou esta noticia é um sinal dos novos tempos?

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Contagem Decrescente

Sou crente. Não sei em que Deus, mas sigo na busca da minha espiritualidade. Escolhi o rito e a religião católica como forma de expressar e procurar essa espiritualidade, e assim a ponho em práctica... Vou a missa (quase sempre) ao Domingo, rezo, peço e agradeço todos os dias.

Vem isto a propósito da irritação que ontem senti durante e depois da missa. O tema escolhido para a Homilia: O referendo do Aborto. A posição defendida: O Não (até à exaustão)...

Até 11 de fevereiro não vai haver lugar à descoberta e crescimento espiritual... a Igreja embarcou numa cruzada: O voto no Não.

Ora acontece que eu vou votar Sim. Não por ser a favor da solução Aborto. Na verdade, sou contra o Aborto como solução, e acredito que em nenhuma circunstância aconselharia/optaria por essa solução. Mas ser pessoalmente contra uma opção, não significa que ela deva ser negada a outros. Ahhh mas a opção é moralmente condenável. Admito que sim, tal como condenar uma vida à violência, ao abandono, ao isolamento... e para mim aqui reside a questão: A defesa da Vida não se escreve a preto ou branco, não se limita ao verdadeiro ou falso... a defesa da vida depende de um sem número de circunstâncias, muitas delas do foro pessoal... e por isso voto Sim. Porque acho que ter escolha, é o maior valor porque devemos lutar.

E aqui reside a minha irritação. A Igreja entende o seu papel, não como o de uma instituição que abre caminho a uma descoberta, do nosso interior, da nossa força espiritual, mas sim como uma força destruidora de opções. A Igreja não confia na sua capacidade de chegar ao coração dos homems, de lhe abrir caminhos, de lhe mostrar a luz para lá das pedras e obstáculos e por isso mobiliza-se para que o caminho "fácil" (e será que neste caso é mesmo fácil?) não seja opção...

A mim resta-me contar os Domingos até 11 de Feverereiro, para que possa de novo encontrar um espaço de desafio, construção, diálogo interior, recolhimento... até lá, segue a contagem decrescente da campanha pelo não.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Planos

Ainda sem planos para 2007.
Ainda ao sabor da mesma corrente que me levou durante 2006.
Como Agostinho da Silva...

" Não faço planos para a vida. Confio nos planos que a vida tem para mim..."

Ps: Pelo sim pelo não hoje jogo no Euromilhões.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Recomeço

Hoje regresso aqui. Recomeço.

Sísifo
Miguel Torga

Recomeça...
Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.


quinta-feira, julho 20, 2006

Quando vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.


Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


Alberto Caeiro
 

quarta-feira, maio 24, 2006

A Música do Acaso

A Música como refúgio.
Ele tocava indiferente aos carros que não paravam. Tocava cego para todos os que ignorava.
Tirava sons do acordeão, buscando sonhos de outros dias, outros momentos, outras vidas.
Era a música, o seu mundo, a sua fuga da realidade.
Naquele pequeno passeio, entre duas vias de trânsito intenso, indiferente... ignorando os carros que o ignoravam ele tocava
Aquela Música do Acaso iluminou o meu fim de tarde.

sexta-feira, maio 19, 2006

Morangos com Açucar Vs Chernobyl

Aconteceu ontem no café.
Tenho, nos últimos dias tomado ali o pequeno almoço enquanto leio o Público e escuto as conversas dos grupos de alunos da Escola Secundária em Frente.
Passava os olhos pelas diversas noticias do Jornal e parei para ler uma cujo titulo dizia " Alergias com sintomas inconstantes..." - Falava do impacto de um episódio dos morangos com Açucar, ondes vários personagens são afectados por uma misteriosa reacção a um virus e correm perigo de vida... dizia eu, falava o impacto que este episódio teve em diversas escolas em que muitos alunos se queixavam de comichões, e de como estes alunos literarlmente inundaram diversos centros de saúde do país... tudo por sugestão... ao fim de poucas horas de espera voltaram calmamente para casa onde puderam ver novo episódio da sua série favorita...
Enquanto lia esta noticia, ouvi um pouca da conversa entre 3 alunas e 1 aluno que se encontravam na mesa ao lada... entre a ida à praia planeada para essa tarde, e o novo corte de cabelo, chegaram sem eu saber como a Chernobyl... interessante, pensei... e continuei a ouvir:
"E isso aconteceu quando?" perguntou uma delas.... "Há muito tempo..." respondeu uma.... "sim durante a guerra." ... "Não sabias o que foi Chernobyl?" perguntou ele, respondendo ela de pronto... "Claro que sim, sabia que tinha sido durante a guerra, não sabia bem quando..."
E fiquei eu a pensar: Guerra?!?!? Qual Guerra? estariam a falar da guerra fria? uhmmm dúvido... é melhor ir ver os Morangos com Açucar.

quinta-feira, maio 11, 2006

Vlad, o Empalador

Ando preso ao livro que relata a procura da verdade sobre Vlad, o empalador - Governador da Valaquia, e a pessoa que deu origem à lenda do Drácula (ou filho do Dragão).

Ando preso, é como quem diz que não consigo largar o livro de Elizabeth Kostova - "O Historiador" - romance que fala da busca por um Historiador e uma antropologa da verdadeira historia de Drakulya.

São quase 600 páginas, onde a História corre a 3 tempos, narrada pela filha do Historiador, pelas cartas do mesmo, e ainda pelas passadas investigações do professor Rossi, correndo 3 gerações, presas a um mistério: O Desaparecimento de todos os que tentam perceber a verdade sobre o descendente da ordem do Dragão.

Vale a pena ler!

terça-feira, maio 09, 2006

Hoje em www.publico.pt... este poema de Pablo Neruda... sem palavras...

Poema 20

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: «La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos».

El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.

La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.

Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Pensar que no la tengo.
Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

Pablo Neruda (1904 - 1973)in "Veinte poemas de amor y una canción desesperada" (1924)

sexta-feira, maio 05, 2006

O Imprevisto

No Brasil, o tipo do transfer aeroporto-pousada questionado sobre se era seguro andar de carro alugado à noite, etc etc, dizia com sotaque brasileiro: " O imprevisto, ninguém prevê!".
Hoje às 17h achei que o meu dia de trabalho tinha acabado em paz: Total Control!!!.... de repente a frase do brasileiro tornou-se uma infeliz realidade, ou em uma qualquer versão da lei de murphy: Quando entre várias coisas que podem correr mal, apenas uma corre mal, será de certeza a pior delas.

quarta-feira, maio 03, 2006

Clap Clap Clap

Acabei de regressar do Brasil, mais especificamente de Arraial d'Ajuda onde gozei uns descansados e repousantes dias de férias.
Ao aterrar em Lisboa, o avião (ou quase todo) rompe numa salva de palmas, agradecendo ao Piloto a viagem e a aterragem em segurança.
Acho que em nenhum outro oficio, que não no meio académico e artistico, se dedicam salvas de palmas a quem executa simplesmenste aquela que é a sua profissão.
Seria interessante no final da viagem da carreira do Eléctrico 28, ou do cacilheiro que diariamente faz a travesia do tejo, os passageiros dedicarem os seus aplausos ao condutor.
Seria curioso, que uma rua inteira se levantasse em plena noite a aplaudir a equipa dos serviços de limpeza da CML que recolhem esmeradamente o nosso lixo.
Seria reconfortante se todos nós recebessemos aplausos pelo simples cumprimento do nosso dever profissional. Seria estimulante se o recebemos sempre que fazemos um esforço extra... mas não, eles estão exclusivamente dedicados a académicos, artistas e... pilotos.
Um bem haja a todos os que não recebem os merecidos aplausos diários.

quarta-feira, abril 19, 2006

Permaneces

Alguns dias antes da Páscoa fiz uma viagem ao passado: O jantar anual do grupo de empresas onde a Marta hoje trabalha e eu a conheci, onde eu já trabalhei (+ de 7 anos), onde trabalham muitos amigos meus, de onde sou fornecedor e onde o meu Pai trabalhou durante muitos e longos anos (+ de 30 ).
Para lá da estranheza de regressar a locais familiares na pele de um estranho, a noite marcou-me pela emoção de uma pequena historia.
(Mas primeiro abro aqui um parentesis para vos falar do meu Pai.)
Começo pelo Fim: Ele morreu no dia 30 de Agosto de 2003, depois de um ano e poucos meses a lutar contra um tumor escondido algures no seu corpo. Durante esta luta continou sempre a trabalhar, até meter férias no inicio do mês de Agosto. Já não voltou à empresa onde trabalhara muitos anos e onde nos ultimos 10 era director de uma unidade fabril. No seu funeral foram muitas as pessoas da empresa que se vieram despedir, desde empregadas das linhas de produção, a colegas de direcção, numa "enchente" que nos surpreendeu e comoveu e me deixou a pensar que "quando morrer é assim que quero que seja..."
Em casa, antes e depois da doença, o meu Pai falava pouco ou nada sobre o trabalho. Sabiamos que para ele era importante, muito importante, mas pouco mais ... soubemos depois que tb Ele era importante para todos os que com ele trabalhava, ele sabia exigir, motivar, ajudar, e por isso tudo, a presença deles, ali, no seu último Adeus, e nas muias homenagens que então lhe fizeram...
(e fecho agora o parentesis)
Na festa da empresa 2 antigos colegas do meu Pai quiseram falar comigo, tinham um pedido disseram: A Fábrica ia inaugurar um campo de futebol, queriam dar-lhe um nome, e o nome escolhido por todos na Fábrica tinha sido o do meu Pai... (...) foi esta a minha reacção, silêncio, depois de quase 3 anos Ele permanecia como uma referência e uma boa lembrança para eles... agradeci e chorei para dentro
Chorei Pai, porque nem sempre soube reconhecer-te. Chorei porque nem sempre trago comigo o teu exemplo. Chorei porque não te tenho aqui, para te ouvir, seguir ou rejeitar, mas saber que estás aqui. Chorei porque ouvi nos outros a falta que tu me fazes.

Maionaisse

Ontem no Trio de Ataque, programa na RTPn sobre futebol, dizia o António Pedro Vasconcelos sobre Benfica e Sporting e a eventual falta de motivação dos seus jogadores:

" As equipas de futebol são como a maionaisse às vezes por mais que uma pessoas bata, ela deslassa e depois já não se consegue fazer nada"

Plano B

Descobri agora e graças ao BES que ainda não tenho um plano B para a minha vida. Tenho que ter???

terça-feira, abril 18, 2006

You can never hold back Spring

A frase dá titulo à Música e à Voz de Tom Wait. Banda sonora para o Sonho de Roberto Benigni em " o Tigre e a Neve". Um poema em Filme.

A Acção passa-se entre Roma e Bagdad no inicio da guerra. Para lá dos momentos de pura gargalhada fica a mensagem: a Vida vale a pena.

E a letra de uma fabulosa Música

You can never hold back Spring
you can be sure that i will never stop believing
The blushing rose will climb
Spring ahead or fall behind
Winter dreams the same dream
Every time
you can never hold back springs
even thought you've lost your way
the world keeps dreaming of spring
So close your eyes
Open your heart
To one who's dreaming of you
You can never hold back spring
Baby
Remember everything that spring can bring
You can never hold back spring

segunda-feira, abril 17, 2006

Parar para Viajar

Há quem diga que é loucura. Para outros foi preciso muita coragem. Eu fico-me algures entre a inveja e o orgulho. A inveja por não ter deles a coragem e a loucura. O Orgulho por os ver, amigos ,partir para uma viajem de 8 meses por esse mundo fora...
A aventura vai ter registo num Blog: pararparaviajar
Daqui a vou seguir. Boa viagem Filipa e Johnnie... keep walking.

Reabro hoje

Estive fechado para reflexão. Não me apetecia escrever. Colocar na blogosesfera sentimentos e opiniões. Reabro hoje. Vamos ver como anda o negócio.

quinta-feira, abril 06, 2006

Anónimo Feliz ou a Ausência de Ousadia

Hoje sei de um anónimo feliz: O Barcelona eliminou ontem à noite o Benfica e o seu sonho realizou-se.
Já o meu chegou ao fim.
Teve o final esperado - a eliminação, mas também o sabor doce da euforia, espalhada por várias semanas, iniciadas em setembro, mas especialmente vividas desde 7 de Dezembro quando eliminamos o Man United na Luz.
Ontem, no campo, não fomos o David que bateu o Golias. Faltou-nos a ousadia para pegar na funda e jogar a pedra. Olhamos para o outro lado, para um Barcelona que aprendemos a admirar, e fizemos a vénia, incapazes de justificar a sorte por mais 90 minutos.
A sorte, de tão apegada a nós, ainda insistiu em aparecer, e Moretto - imponente - defendeu aos 4 minutos o penalty de Ronaldinho, dando mais brilho a um sonho bonito.
Mas nós não a queriamos- à sorte. Ela que se fosse, não era para nós, que fosse ter com os outros, os audazes. E aos 19 minutos, depois de muito pontapé sem nxo, expulsamo-la com uma perda de bola inaceitavel.
E ela disse-nos adeus. Sentada, na mitica bancada de Camp Nou, ainda a tiveram de segurar para não saltar para dentro do campo no lance perdido por Simão. Foi preciso insistir que não, que nós não a queriamos. Nós não a mereciamos.
Nem a ela, nem à vitória. Seria renegar os deuses do futebol, encarnados na forma de ronaldinho, eto'o e companhia.
Terminado o sonho, o dia é de recomeço. Para lá dos 5 jogos que faltam na liga, vem aí uma nova época, precedida de um mundial e da penã Portugal. Continuarei a vibrar com o Futebol sempre: A subir a av lusiada a caminho da luz, ou em qualquer outra rua, até ao café onde vou ver Portugal... sempre a caminho das minhas penã: Benfica, Portugal, Benfica.

quarta-feira, abril 05, 2006

Arrepio Matinal

Hoje, esta manhã, pouco depois de ligar o carro, a caminho da empresa... aqui, na TSF....
Sinais de Fernando Alves

Lobo Antunes

Ainda não consegui ler nenhum dos seus livros. Guardo-os à distância como algo que respeito e para a qual não estou ainda preparado.
Acho que este respeito vem de o ouvir. Sempre que oiço uma das suas entrevistas fico preso, na voz e nas palavras.
Ontem foi na 2 - no programa por outro lado. Guardei algumas das suas palavras:
A resposta à pergunta o que quer para os seus livros: " que cada página seja um espelho..."
Sobre o sucesso: " o sucesso não é importante... importante é a glória... e eu quero dar trabalho aos criticos para 500 anos"
Hoje já na TSF sobre o Barcelona e o seu Benfica, " O futebol perdeu-se com o predominio dos técnicos, dantes era um solitário debaixo dos paus e 10 eufóricos lá na freste..." e ainda hoje na TSF e registado aqui no kuhluvuka: " o Benfica é o meu país..."

terça-feira, abril 04, 2006

Barómetro

Este blog é o meu barómetro. Aqui mostro se estou decidido, contente, chateado, frustrado. Aqui vou deixando todas as minhas emoções.
Em quase todos os meus post registo o que gosto ou o que não gosto
Está encontrado um papel para estes textos. São apenas isto um barometro. Para mim. Para mais tarde recordar.

A Europa do Futebol

Em conversa com ele, hoje no regresso do café.
o tema inevitavelmente era o jogo de amanhã. Dizia ele na sequência de uma conversa sobre a eventual postura defensiva do Benfica: " isso era muito mau, ficavamos mal vistos pela Europa do Futebol".
Por Quem?

Publicidade

Há um anúncio que me intriga.

Conversa de miúdas. Diz uma:-"a Xana Comprou umas purpurinas". Pergunta a outra:" Purpurinas!!!! já contaste à Bé?"

E eu fico-me sempre a perguntar: Que raio são umas purpurinas?

segunda-feira, abril 03, 2006

Perfil de Risco Português

O Barometro DN/TSF Marketest anuncia:
A noticia continua dramatizando a nossa tendência para o consumo, para o endividamento das familias, e para o perfil de poupanças (certificados de aforro, planos poupança reforma, e depositos a prazo)...
Este fim de semana na aula de finanças na pós graduação que estou a fazer um exemplo espelhou esta realidade:
Estudavamos formas de financiamento e avaliavamos duas hipóteses de subsidio: Uma primeira de 60 mil euros a fundo perdido; uma segunda de 300 mil euros de emprestimo com 0% de juro, 2 anos de carência e 3 prestações de 1/3 do valor nos 3 anos seguintes.
comentário imediato de uma colega de turma: Para que é que é preciso comparar se uma me dá 60.000 euros que vão ser meus, que eu não tenho que pagar...
Findo o exercicio, o Valor actual dos 300.000 euros era de 74.000 euros: continua a colega - " não percebi, a outra não dave 60.000 sem pagar... então é melhor, é sempre melhor"
Para ela, como para a generalidade dos portugueses, o certo, o sem risco, o garantido é sempre melhor... No consumo como na poupança preferimos o que é seguro: O Frigirifico hoje que só começo a pagar daqui a 6 meses, os 300 contos a 1% num deposito a prazo que pelo menos os 300 estão garantidos..No poupança como na vida não arriscamos: Preferimos a segurança de um emprego, que a aventura de um empreedimento; a certeza de um certificado de aforro à rendibilidade de uma acção...
e depois alegremente cantamos "queremos mais, queremos mais"...





sexta-feira, março 31, 2006

lengalenga

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.
o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

quinta-feira, março 30, 2006

Sou do Benfica ou carta a um Anónimo

... e isso me envaidece. Diz o Hino do meu Clube, e no meu caso é verdade. A minha paixão pelo SL Benfica não é racional, mas felizmente nunca me impediu de ver futebol de uma forma realista, dando mérito e respeitando o adversário. Sempre. Na Terça o Barcelona foi superior, muito superior. Quando perdemos na Luz com o Sporting, o Sporting foi superior, superior. Quando ganhamos nas Antas o Benfica foi superior, muito superior. Quando ganhamos em Liverpool fomos grandes a defender e tivemos sorte e momentos geniais, não fomos superiores.
Ir à Luz para mim é sinonimo de momentos bem passados...ir ver um Benfica - Barcelona de sinonimo de uma festa inesquecivel... não significa isso, caro anónimo, falta de respeito por ninguem, significa apenas comunhão com muitos dos que lá estão... na terça comunguei isso com 60 mil benfiquistas no estádio, a ansiedade, a vibração nas fifias do moretto, o aplauso nas bolas que o Ricardo Rocha cortou, a alegria incredula a cada falhanço do Barcelona, a esperança, sempre ela, quando nos aproximamos da área... o jogo, visto sem paixão como provavelmente o viste, foi só isso, um jogo... passou... para mim deu momentos de convivio, antes, durante e depois, que já ninguem me tira...
São esses momentos exclusivos Benfiquista, não creio... qualquer adepto de futebol os vive no seu clube, qualquer fã de cinema os vive na presença de uma actriz ou de um actor, qualquer fã de música o vive durante um festival de verão... eu vivo os meus, alguns enquanto benfiquista como por exemplo aquele que por antecipação aqui vivi na terça feira.
Espero que vivas tambem os teus.

terça-feira, março 28, 2006

Peña Benfiquista

Hoje é dia de Jogo Grande: Benfica e Barcelona disputam os 4os de final da liga dos campeões. Ontem o FC Barcelona inaugurou em Lisboa a sua primeira Peña em Portugal. Hoje na TSF fiquei a saber o significado da palavra: Peña - Grupo de amigos que se reune em festa popular ou no apoio a um clube.
Hoje reúne-se a Peña Benfiquista. Para aqueles que não entendem o fenómeno, para os que acham que um jogo, este jogo, é apenas um conjunto de homens armados em rapazes a correr atrás de uma bola, deixo aqui a antecipação do meu fim de dia, da minha reunião com a Peña Benfiquista...
Perto das 6 vou estacionar o carro junto à estrada da luz, trocar umas impressões com o arrumador: " será que joga o Ricardo Rocha?" enquanto lhe deixo na mão 50 centimos, levando comigo o desejo de Sorte... será precisa, a Sorte, porque o adversário é grande ... "de outra galáxia" comentarei mais tarde subindo a avenidade Lusiada com um qualquer companheiro de ocasião.
Nas roulottes no Alto dos Moinhos, ondee hoje não estarão os ingleses, com os seus cânticos entusiasmantes, espelho real de uma verdadeira paixão futebolistica... junto às roulottes, dizia, procurarei caras conhecidas, para partilhar entre o cheiro da gordura das bifanas, 2 ou 3 imperiais, e memórias de outros jogos, jogadas e jogadores e um inevitavel tema de conversa "como vamos parar a frente de ataque do Barcelona?" ... remataremos com uma ultima imperial, e a certeza de que " isto já ninguem nos tira!", enquanto seguimos pelo viaduto a caminho da primeira barreira de segurança, primeiro contacto com o calor humano, empurra atrás, empurra à frente, até ao steward.
Já no recinto do estádio, à sua volta, correrei a caminho da porta, cartão junto ao torniquete, 3 lanços de escadas subidas a cantar " ninguem pára o Benfica" até que o Estádio, ainda a encher se abre diante dos meus olhos, ansiedade já nos limites à espera do inicio do jogo, equipas no aquecimento, "quem joga", "olha os toques do Ronaldinho"...
Finalmente no meu lugar vou esperar o vôo da àguia, sempre imponente, vou cantar com o Luis Piçarra à entrada dos 11s, vou trocar larachas e silêncios que isto tá quase a começar. Hão-de chegar entretanto, o velho e o filho do lado, calados durante todos os jogos, os Putos de trás vibrando como eu com o inicio do jogo, o Bigodes da frente a prepara a lista de nomes a chamar ao árbitro e aos jogoadores do Benfica, que isto de ser benfiquista tambem tem muito de autocritica, de negativismo, e é preciso estar preparado para tudo...
E o jogo vai começar, emoções lá em cima, todo um estádio a cantar "SLB, SLB..." , " Glorioso SLB", a assobiar a primeira dúvida do Arbitro, a aplaudir o primeiro remate, ainda que longe da nossa equipa, a tremer e assobiar de cada vez que a bola tiver nos pés de um destes 3: Deco, ronaldinho, E'too... a aplaudir de novo qaundo os nossos a conseguirem tirar, a esperar, a gritar de alegria, de aflição, d tudo...
Os 90 min vão acabar, com um resultado (indiferente para tudo o que se viveu até aqui)... a eliminatoria vai continuar noutro dia, noutro lugar, mas este jogo não acabou, repete-se nas conversas, sms, emails, piadas que se vão trocar nos proximos dias... muito mais que um jogo, um grupo de amigos, um grupo imenso unido em festa popular no apoio a uma Equipa... o Glorioso SLB

Simplex

Não votei PS nas ultimas legislativas. Não acreditava nas suas capacidades para governar. Tenho sido, por isso, e ao longo deste ano e tal, positivamente surpreendido pelas medidas e pela capacidade de desafio deste governo.
Ontem foi o Simplex. Gosto do nome. Parece um produto de limpeza para acabar com a burucracia. 333 medidas que não fiquei a conhecer em pormenor, mas que são um claro sinal de limpeza de inefeciência da administração Pública: Adeus às certidões, às duplicações de dados pelos diferentes serviços, ao diário da república em papel, e à desnecessária regulamentação.
Do cidadão, da sua necessária responsabilidade vai depender o sucesso de algumas desta iniciativas. Mas o governo e o estado cumprem aqui o seu papel de facilitador da inicitiva privada. Gostei

segunda-feira, março 27, 2006

Sliding Doors

(re)Vi o filme ontem. O Tiago fala dele hoje.
Gostei do tema: Instantes Decisivos ou Destino? Somos as nossas escolhas ou os passos que demos até aqui? Um misto de nós e das nossas circustâncias ou fado escrito nas linhas da mão?
Gosto do fado e do destino, as minhas mãos estão cheias de estrelas, que, segundo quem as leu, significam que estou protegido e cheio de sorte.
Gosto também de acreditar no poder do instante: em vidas paralelas marcadas por momentos decisivos, a bola que bate na rede e cai para um lado ou outro.
Sei que a minha vida seria diferente tivesse eu tomado outras decisões no passado, mas será que diferentes caminhos me trariam a um mesmo lugar? Será que todos os caminhos vão mesmo dar a uma mesma Roma, a um mesmo final como no filme?

sábado, março 25, 2006

Silêncio(s)

Gosto do Silêncio. Da sua forma violenta de nos falar.
De quando, surpreendidos, o ouvimos. Como naquele dia, o último do ano, no alto da serra, o sol, a neve, o silêncio.
De quando nos comove. De quando nos prende a um olhar (o teu olhar).
Da calma e da serenidade de uma igreja mal iluminada (sobretudo San Geminiano, no alto do monte, em Florença, depois de uma corrida debaixo de chuva).
De olhar o mar, a serra, e o cabo da Roca. Ouvindo o vento e os seus (meus) silêncios.
Preciso deste equilibrio, deste ponto de fuga, deste lugar de reencontros.
Preciso do Silêncio para me ouvir.

quinta-feira, março 23, 2006

Ir à Pesca

Acabo de chegar de um cliente. Isto dito assim não soa lá muito bem... repetindo: Acabo de chegar de uma reunião com um cliente (devia dizer mais uma, a terceira de hoje). Chego de bolso vazio, a proposta ainda não foi aceite, tá quase dizem... Pelo meio, antes, uma outra reunião para acabar com um projecto com um cliente... muita luta e regresso de bolsos vazios e vontade espremida... sinto-me como o Santiago, a personagem do livro de Hemighway - "O Velho e o Mar". Reza assim a sinopse:
"Depois de passar quase três meses sem fisgar um peixe, escarnecido pelos colegas de profissão, o velho Santiago enfrenta o alto-mar, sozinho, em seu pequeno barco. Quer provar aos outros e a si mesmo que ainda é um bom pescador. É em completa solidão que ele travará uma luta de três dias com um peixe imenso. (...)
À medida que o combate se desenvolve, o leitor vai embarcando no monólogo interior de Santiago, em suas dúvidas, sua angústia, sentindo os músculos retesados, a boca salgada e com gosto de carne crua, as mãos úmidas de sangue. Por fim o peixe se dobra à força do pescador. Mas a vitória não será completa - surgem os tubarões... "
Vale a pena ler.

quarta-feira, março 22, 2006

Inquietação

Ando Inquieto.
Não consigo parar e focar os pensamentos.
Enche-me uma ânsia de atingir não sei o q.
Sinto-me Desgastado.
Cansado de nada
farto de tudo.
Descontente comigo e com o que faço.
Ando Inquieto.
Lá fora a vida continua...

terça-feira, março 21, 2006

Pele e Blog

Ainda a proposito do Dia Mundial da Poesia:

Um Poema...

David Mourão Ferreira - Pele

Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele

...E um blog de poesia.

Poetas e Trovadores.

"Carta a Meus Filhos"

No dia Mundial da Poesia, fiquem com a "Carta a meus filhos" de Jorge de Sena:
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente â secular justiça,
para que os liquidasse "com suma piedade e sem efusão de sangue."
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, ~
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de urna classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de té-1a.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga
não hão-de ser em vão. Confesso que
multas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam "amanhã".
E. por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

À Direita da Esquerda onde?

Nestes trintal e tal anos nunca me consegui identificar com uma côr politica, ou com um posicionamento na escala da Esquerda e da Direita...
Sempre acreditei na iniciativa privada, na justiça social, e na igualdade de oportunidades. Admiro tanto o espirito empreendedor que leva a criar o banco Grameen como admiro o espirito empreendedor de Belmiro Azevedo e da sua Sonae. Admiro o sistema social dos países do norte da Europa que garantem assistência em casa a todos os recem nascidos, e oferecem anos sabáticos no inicio da vida adulta.
Vem tudo isto a proposito das reformas propostas pela administração dos CTT e da reacção dos sindicatos: As propostas incluem no contracto a mobilidade dos trabalhadores, o acabar das promoções automaticas, e a revisao do plano de saude. A reacção fala dos direitos adquiridos que parecem mas não são privilegios, da demissão da administração e da arbitrariedade das chefias...
Ao ouvir argumentos de parte a parte esta manhã na TSF concluo que definitivamente não sou de esquerda: Não me revejo nos discursos dos sindicatos, na cassete dos direitos adquiridos mesmo que a custa do bem comum... onde encaixam então os meus valores? à direita da esquerda é certo, mas onde... na filosofia que cada um de nós tem um papel de cidadania fundamental... que cada um de nós se deve sentir responsavel pelo resultado do seu trabalho e não reclamar direitos quando os meus unicos deveres são esperar que o relogio marque as 18h para fechar a loja... que cada um deve ser um empreededor no seu posto de trabalho.

segunda-feira, março 20, 2006

Reset

Aqui estou. De volta. 15 dias depois. 15 Dias em que corri para entregar a carta a Garcia que no meu caso e o mesmo que dizer a proposta ao cliente. Ao contrário do heroi da historia, corri cheio de perguntas: Se vale a pena? Para k? Porquê? e se? Cheguei ao fim da missão desgastado e sem sentido do dever cumprido... com uma sensação de já chega, o jogo assim já não vai dar nada, Cheguei ao fim na ansia pelo Game Over... com a sensação de quem quer carregar no botão de reset para re-começar, de outra forma, noutro lugar, noutro sentido... Alguem faz o favor de carregar no botão?

quinta-feira, março 09, 2006

Estrada da Luz

O Benfica ganhou. 3-0 no total da eliminatória. E logo ao Campeão Europeu.

Sexta feira saberemos quem é o próximo. Em breve estarei a parar o carro na Estrada da Luz, e a subir,camisola e cachecol do Benfica vestidos, a av.lusiada a caminho do estádio na ilusão de mais uma grande noite europeia.

Mais uma noite a caminho da luz, mais uma noite a caminho do sonho.

quarta-feira, março 08, 2006

A Inveja...

é uma coisa muito feia, mas não posso deixar de a sentir ao ver este post.

segunda-feira, março 06, 2006

"Maria, fez-se ao Caminho"

A frase é da Bíblia.
Mas mais do que o seu sentido religioso, gosto nela, do seu sentido de missão.
Fazer-se ao caminho implica ir, partir, arrancar; Implica não ter medo, não olhar para trás, não hesitar... ir apenas, sem perguntar "e se...?"
Nas proximas semanas tenho que ter esta atitude - Fazer-me ao caminho. O que está para trás, para trás está. Hoje faço-me ao caminho.

sexta-feira, março 03, 2006

Regresso

sem tempo nem tema para postar.
como eles dizem... há-de chegar.

quarta-feira, março 01, 2006

Teoria da relatividade @ MZ

Terminou a semana de trabalho aqui em Moçambique. Parto amanhã de manhã.

Porque tudo é relativo parto cheio de saudades de regressar, acima de todas as outras saudades as saudades de estar contigo, de partilhar os momentos desta semana.

Porque tudo é relativo parto cheio de saudades de não ficar.

Aqui a vida seduz. O calor, a comida, o convivio, as praias, mas mais que tudo uma forma de vida que assenta no verbo Haver.

Mais que uma expressão idiomática, mais que uma
conjugação perifrástica, o auxilio do verbo Haver dá a todas as acções uma relatividade no tempo, elas nunca o são no presente, são sempre acções num horizonte infinito.

O "Hei-de fazer" é uma intenção, uma promessa que será sempre cumprida, não hoje, não amanhã, mas algures no tempo.

O "Há-de chegar" é uma esperança que não se impacienta. Se não fôr hoje é amanhã. Se o amanhã faltar será depois. É uma esperança que acredita que se cumprirá sendo o tempo uma variável relativa.

Este "hei-de" cheio de intenção, esperança e paciência; Este "Hei-de" perdido no infinito do tempo, mostra-nos um caminho; -A vida é demasiado curta para ser vivida a correr.
Gosto disto por aqui. Amanhã parto. Hei-de voltar.